A reivindicação da subjetividade do excluído em A palavra que resta, de Stênio Gardel
configuração de uma estratégia
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.2764-4251.2025.n2.77389Palavras-chave:
Literatura Brasileira, Subjetividade, Exclusão, A palavra que resta, Stênio GardelResumo
Este artigo apresenta uma proposta relacionada à análise de uma reivindicação da subjetividade do excluído, e seu respectivo processo de constituição, a partir do romance: A palavra que resta (2021), do escritor cearense, Stênio Gardel. Por meio do personagem Raimundo, o protagonista do livro, institui-se uma possibilidade atrelada a essa figura de contar a sua própria história sem o uso de subterfúgios externos, como um tradutor (ou um sujeito letrado), quando este recorre aos estudos e finalmente alfabetiza-se. Os enigmas que circunscrevem a carta escrita por Cícero, o ponto catalisador dos afetos de sua existência, também contribuem para a vivificação dessa proposição, homeopática por parte de Raimundo, de tecer os fios que compõem a urdidura de sua diegese. Gardel também estabelece em sua obra um ensejo à compreensão dos ditames que envolvem a experiência do excluído, não apenas no que tange à premência de que seu relato assente-se em primeira pessoa, mas que a sua subjetividade seja retomada por intermédio de uma reivindicação que assume contornos sociais e políticos, pessoais e objetivos, quando apartada de uma determinada voz, a qual poderia falseá-la ou transformá-la, em um artefato artístico desprovido de significação individual primária
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