O eu desfeito
a poesia e os limites da subjetividade
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.2764-4251.2025.n2.76257Palavras-chave:
poesia contemporânea, Benedito Nunes, José Tolentino Mendonça, Nuno Ramos, Ana Luísa AmaralResumo
O artigo analisa as transformações da poesia lírica contemporânea, evidenciando a relação com a fragmentação do sujeito e a experimentação linguística. A poesia é tomada como espaço de reflexão ontológica, histórica e estética, na qual teóricos como Bosi, Cohen, Friedrich e Paz ressaltam a especificidade da linguagem poética. No presente, conforme Benedito Nunes, ocorre a crise da subjetividade, deslocando o eu lírico para múltiplas vozes e instaurando a poética fragmentária, aberta e ambígua. Essa lírica explora indeterminação, ausência e temporalidade, articulando memória e imaginação em movimentos descontínuos. Destaca-se ainda a noção de mediania, que valoriza o banal, o cotidiano e o comum, em contraposição ao sublime, incorporando ironia, humor e coloquialidade. Na segunda parte, o estudo aborda poetas como Tolentino Mendonça (dicção minimalista), Nuno Ramos (fragmentação e fusão de linguagens) e Ana Luísa Amaral (releitura do espaço doméstico). Conclui-se que a lírica contemporânea não desaparece, mas se reinventa como resistência, liberdade e invenção.
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