O eu desfeito

a poesia e os limites da subjetividade

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.2764-4251.2025.n2.76257

Palavras-chave:

poesia contemporânea, Benedito Nunes, José Tolentino Mendonça, Nuno Ramos, Ana Luísa Amaral

Resumo

O artigo analisa as transformações da poesia lírica contemporânea, evidenciando a relação com a fragmentação do sujeito e a experimentação linguística. A poesia é tomada como espaço de reflexão ontológica, histórica e estética, na qual teóricos como Bosi, Cohen, Friedrich e Paz ressaltam a especificidade da linguagem poética. No presente, conforme Benedito Nunes, ocorre a crise da subjetividade, deslocando o eu lírico para múltiplas vozes e instaurando a poética fragmentária, aberta e ambígua. Essa lírica explora indeterminação, ausência e temporalidade, articulando memória e imaginação em movimentos descontínuos. Destaca-se ainda a noção de mediania, que valoriza o banal, o cotidiano e o comum, em contraposição ao sublime, incorporando ironia, humor e coloquialidade. Na segunda parte, o estudo aborda poetas como Tolentino Mendonça (dicção minimalista), Nuno Ramos (fragmentação e fusão de linguagens) e Ana Luísa Amaral (releitura do espaço doméstico). Conclui-se que a lírica contemporânea não desaparece, mas se reinventa como resistência, liberdade e invenção.

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Biografia do Autor

Cacio José Ferreira, Universidade de Brasília

Professor Adjunto da Universidade de Brasília (UnB) e doutor em Literatura (UnB). Foi Professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) de 2013 a 2025. Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal do Amazonas (2023), graduação em Língua e Literatura Portuguesa e Japonesa pela Universidade de Brasília (2005), Especialização em Linguística Aplicada (2008), Mestrado em Literatura - UnB (2010). Participou do Programa Japanese Language for Specialists, da Fundação Japão, em Osaka Japão (2014 -2015) e presidiu a Associação Brasileira de Estudos Japoneses - ABEJ (2014 - 2016). Foi do Coordenador de Letras - Língua e Literatura Japonesa UFAM (2015-2016), Diretor da Faculdade de Letras - FLet/UFAM (2020-2021), Vice-coordenador do curso de Letras Língua e Literatura Japonesa (2021-2023), coordenador pedagógico geral na Ufam da Rede ANDIFES IsF , Vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos Japoneses - ABEJ (2022 - 2024), Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFAM (2022-2024), Coordenador do curso de Letras Língua e Literatura Portuguesa do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica PARFOR (2021-2024), Coordenador Adjunto Equidade do Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica PARFOR/UFAM (2024-2025) . Atualmente exerce o cargo de primeiro secretário da Associação Brasileira de Estudos Comparados - Abralic (2024 - 2025). É professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Letras/UFAM e do Programa de Pós-Graduação em Letras de Bacabal/UFMA. Lidera o grupo de pesquisa Estudos de haicai: lirismo, haicaístas e campo literário CNPq/UFAM e Palimpsesto: Tecituras entre literatura japonesa, literatura brasileira e psicologia CNPq/UnB. É membro da Associação Nacional de Escritores (ANE). Atua principalmente nas seguintes linhas: Estudos de haicai, literatura comparada, literatura japonesa, literatura brasileira, fenomenologia, tradução, representação literária, fábulas.

Norival Bottos Júnior, Universidade Federal do Amazonas

Professor Adjunto da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Pós-Doutor no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Letras - nível de Mestrado e Doutorado: com a pesquisa do Estágio: As Imagens que Restam: as Desmontagens Hipermodernas do Estado de Exceção no Cinema Sul-Americano, sob orientação do Professor Doutor Acir Dias da Silva. Possui doutorado em Literatura e Estudos Comparados pelo Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal de Goiás (UFG). Mestre em Literatura e Crítica Literária pelo Programa de Mestrado em Letras da PUC Goiás. Possui graduação em Letras Português e Inglês pela Universidade Federal de Goiás - CAJ - Jataí. Atuou como professor substituto nas áreas de Literatura brasileira e portuguesa pela Universidade Federal de Goiás, UFG - CAJ- Jataí. Atuou como professor assistente e adjunto nas áreas de literatura brasileira e portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás - PUC - Goías. Atualmente desenvolve pesquisas sobre literatura e imagem. Dedica-se ao estudo e reflexão sobre a Literatura Amazonense, preocupando-se, sobretudo, com a poesia lírica e sua possibilidade de desconstrução, subjetivação e desterritorialização. Também analisa o cruzamento entre os campos das teorias contemporâneas na análise de obras literárias e da relação entre o jogo da memória. Seu aporte teórico se baseia nos conceitos chave da teoria de Luiz Costa Lima, Benedito Nunes, Antônio Cândido, Giorgio Agamben e Georges Didi-Huberman.

Francisco Alves Gomes, Universidade Federal de Roraima

Docente Adjunto III da Universidade Federal de Roraima. Foi Superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN/Roraima (19/04/2023 até 09/07/2024).Coordenador do Curso de Artes Visuais da UFRR no período de 19/10/2021 até 21/03/2023. Docente permanente do Programa de Pós-graduação em Letras da UFRR. No PPGL atua na linha de pesquisa: "Literatura, Artes e Cultura Regional". Doutorado em Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília - UnB, no programa de Pós graduação em Literatura (Conceito 5) do Departamento de Teoria Literária e Literaturas - TEL. Mestre em Literatura Brasília pela UnB em 2013. Graduado em Letras - Literatura pela Universidade Federal de Roraima - UFRR em 2011. É professor do quadro Efetivo da UFRR atuando no curso de Artes Visuais (CCLA), atuando nas disciplinas História da Arte I e II, e Crítica em Artes Visuais. Tem interesse pelo texto dramático, dramaturgia, teatro brasileiro e suas inúmeras interpretações na ambiência social. No mestrado estudou o texto dramático de Hilda Hilst que culminou na dissertação, "Hilda Hilst: Da dramaturgia ao poder e à cena: Leituras das peças O Verdugo e o Rato no Muro". No doutorado, continuou estudando o teatro de Hilda Hilst através do projeto de tese, "Certas palavras não devem ser ditas: um estudo sobre a violência nas peças O rato no muro, O visitante, O verdugo e As aves da noite, de Hilda Hilst". Faz parte do grupo de pesquisa Literatura e Cultura, da UnB, grupo este que tem se dedicado ao estudo da Autoria. É poeta, tendo publicado os seguintes livros, Poemas a Meia Carne (2008) e Ruídos Noturnos e pequenas putarias literárias (2013). Em 2018 publicou seu primeiro livro de contos, intitulado: "Fotografias desmemoriadas de mim, de ti, de outrem", obra que venceu o prêmio Peixes de contos e crônicas, categoria do concurso nacional de literatura promovido pela Editora Kazuá.Também faz parte do grupo teatral Cia do Pé Torto (www.ciadopetorto.com.br). Em 2011 dirigiu o espetáculo A galinha degolada, fruto do prêmio Funarte Miryan Muniz de teatro na categoria montagem de espetáculo. Desenvolve também perfomances em parceria com alunos da graduação da UFRR. Recentemente assumiu a Coordenação do Polo Arte na Escola na UFRR. Foi professor voluntário no cursinho pré vestibular solidário EDUCAFRO Brasília, de setembro de 2017 até setembro de 2019. Coordenador do Programa Polo Arte arte na Escola em Roraima, sediado na UFRR. Participou do projeto "Alô Vestibulando da UFRR", da Pró Reitoria de Extensão-PRAE. Faz parte da Comissão de Heteroidentificação racial da UFRR. Coordena os projeto de extensão: Grupo de Teatro da UFRR; e o Webprograma Pássaro Poesia Literatura de Roraima. Também é apresentador do programa Cruviana Universitária, produzido pela Rádio e Tv Universitária da UFRR. Atualmente está presidente da Comissão de Heteroidentificação étnico racial da UFRR (Portaria 642/2024-GAB).

Referências

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Publicado

2025-12-23

Como Citar

Ferreira, C. J., Bottos Júnior, N., & Alves Gomes, F. (2025). O eu desfeito: a poesia e os limites da subjetividade. Revista LiteralMENTE , 5(2), 8–28. https://doi.org/10.22478/ufpb.2764-4251.2025.n2.76257

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