O olhar masculino e a fetichização da experiência sáfica no cinema contemporâneo: uma leitura crítica de Tudo por Ela
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1807-8931.2026v22n3.78265Palavras-chave:
Olhar masculino. Representação sáfica. Cinema. Gênero. Subjetividade queer.Resumo
O presente artigo analisa a presença do olhar masculino na representação de personagens sáficas no cinema, com foco no longa-metragem japonês Tudo por Ela (2021), dirigido por Ryūichi Hiroki. Para tanto, contextualiza-se as teorias de Mulvey (1983), Butler (2015), Witting (2016) e Saffioti (2015) a fim de traçar a discussão sobre como o cinema hegemônico, especialmente o modelo hollywoodiano, consolida uma gramática visual pautada em estruturas patriarcais e heteronormativas que restringem a autenticidade das experiências femininas e queer. Por conseguinte, o longa-metragem japonês Tudo por Ela (2021) é analisado a partir da relação entre as protagonistas Rei e Nanae, construída sob a lógica da obsessão e do abuso, substituindo o desenvolvimento emocional pela exploração erótica dos corpos femininos. A análise revela que o filme colabora para a manutenção de um modelo de representação deturpado e enviesado da experiência sáfica, culminando em problemáticas que vão além do campo cinematográfico.



