Excesso, coprofagia e podolatria na lírica de Glauco Mattoso

Autores

  • Ricardo Alves dos Santos Santos E. E. Frei Egídio Parisi https://orcid.org/0000-0002-4209-1970
  • Fábio Figueiredo Camargo Universidade Federal de Uberlândia

Palavras-chave:

Poesia brasileira, Glauco Mattoso, Excesso, Coprofagia, Podolatria

Resumo

Este artigo aborda o projeto literário da “poesia coprofágica”, de Glauco Mattoso, cuja obra tem a homossexualidade, a podolatria e o sadomasoquismo como temáticas constantes. Sua poesia nos permite empreender uma discussão sobre o conservadorismo, as contradições, o apagamento e a violência praticados pelo projeto burguês de dominação dos corpos e desejos humanos distintos da visão heterossexual, a qual, historicamente, constitui-se, por natureza, como manejo operacional da estrutura capitalista. O poeta contemporâneo Glauco Mattoso desloca nosso olhar para as obscuridades e lacunas que operam no jogo existencial de sujeitos marginalizados. Desse modo, buscamos avaliar como a linguagem literária do poeta se arranja para enunciar um discurso engajado poeticamente. Partimos do entrecruzamento entre a persona lírica e a empírica de Mattoso para desenvolvermos a argumentação de uma poética do excesso, apoiada, principalmente, na leitura estruturalista de Severo Sarduy (1979), no ensaio “Por uma ética do desperdício”. Os deslocamentos significantes, a circularidade e o excesso paródicos foram os recursos expressivos predominantes de nossa proposta de investigação. A condução heteronormativa dada à vida social e cultural atesta que a poesia de Glauco Mattoso é um dispositivo literário que promove uma desestabilização das estruturas socioculturais, ao selecionar para sua performance o que é considerado abjeto.

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Biografia do Autor

Fábio Figueiredo Camargo, Universidade Federal de Uberlândia

Professor Associado do Instituto de Letras e Linguística da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) onde é professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Letras/Estudos Literários. Possui doutorado em Literaturas de Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (2007); Mestrado em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Minas Gerais (2000). Cumpriu estágio de pós-doutoramento no Programa de Pós-graduação em Letras, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2019-2020). Foi coordenador do GT Homocultura e Linguagens da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL). Autor de A escrita dissimulada: um estudo de Helena, Dom Casmurro e Esaú e Jacó, de Machado de Assis, SOGRAFE. 2005; A vida suspensa, Scriptum, 2014; Escrever o pai é escrever-se, O Sexo da Palavra, 2021.

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Publicado

13.08.2022

Edição

Seção

VOLUME FLUXO CONTÍNUO