BRINCAR, PERTENCER E RESISTIR:
A POTÊNCIA POLÍTICA DAS INFÂNCIAS CALON DE QUISSAMÃ-RJ
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.2447-9837.2025.n20.73035Resumo
Este artigo apresenta resultados de pesquisa etnográfica desenvolvida entre 2019 e 2023 no acampamento Mathias, em Quissamã, no estado do Rio de Janeiro, com crianças do grupo étnico cigano Calon. O objetivo central foi compreender o brincar como prática cultural de resistência, produção de saberes e afirmação identitária. A metodologia fundamentou-se na observação participante, na fotoetnografia realizada em diálogo com as crianças e em entrevistas informais com familiares, valorizando o uso da imagem como instrumento de análise das dinâmicas culturais. As brincadeiras observadas evidenciaram a criação de narrativas coletivas, a partir da transformação de objetos cotidianos e da reinvenção dos espaços, característica das infâncias Calon. O brincar emerge, assim, como linguagem política, reafirmando pertencimento, fortalecendo vínculos comunitários e tensionando estigmas. Os resultados apontam para a necessidade de políticas públicas e educacionais que reconheçam e legitimem modos próprios de aprender, brincar e existir das crianças Calon, assegurando o direito ao território, à memória e à livre expressão cultural. Conclui-se que as infâncias Calon não devem ser compreendidas apenas pela ótica da exclusão social, mas como agentes produtores de cultura e conhecimento situados, sendo fundamental garantir-lhes escuta qualificada e respeito a seus direitos coletivos.
PALAVRAS-CHAVE: Infâncias Calon. O Brincar. Resistência Cultural. Diversidade Cultural.
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