Máquinas de guerra e o nomadismo de bandos:
territórios e cotidianos no campo das drogas e na rede de atenção psicossocial
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.2447-9837.2025.n20.73213Resumo
O campo das drogas constitui-se a partir de um conjunto extenso de práticas, discursos e legislações que orientam diretrizes legais e institucionais, muitas vezes permeadas por preconceitos étnicos e ideológicos. Este estudo discute parte dos resultados de uma pesquisa de doutorado realizada no Nordeste brasileiro, entre 2020 e 2023, com o objetivo de acompanhar as situações cotidianas que revelam práticas de resistência no contexto de vulnerabilidade de pessoas que consomem drogas e frequentam um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS AD III). Para tal, utilizamos a etnografia como abordagem metodológica, registrando o cotidiano dos participantes por meio de diários de campo e entrevistas em profundidade. A análise dos dados considerou dois momentos principais: as “andarilhagens etnográficas” e as “conversas de pé de chinelo”, realizadas no CAPS AD III e seu entorno. A pesquisa baseou-se nos conceitos de “máquinas de guerra” (Deleuze e Guattari, 1997) e de “cotidiano” (Certeau, 1996; Certeau, Giard e Mayol, 1996), para dialogar com os contextos vivenciados. Os resultados destacam a importância de compreender os modos de vida dos participantes como pistas para a produção de cuidados psicossociais, evidenciando a criação de práticas de resistência, como intervalos de desejo e liberdade, em oposição aos imperativos de normalização. A pesquisa contribui para a reflexão sobre o cuidado psicossocial, ressaltando o valor das experiências dos participantes na construção de alternativas que promovam rebeliões e fissuras diante da precariedade e vulnerabilidade.
PALAVRAS-CHAVE: Drogas. Etnografia. Cotidiano. Práticas de resistência.
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