Minorias político-culturais, pluralização da história e a quebra da continuidade: pela desnaturalização e politização da modernidade-colonialismo
DOI:
https://doi.org/10.18012/arf.v12i3.74882Palavras-chave:
Modernidade, Colonialismo, Racismo, crítica, emancipaçãoResumo
Defendemos, no texto, que a introdução do colonialismo-racismo como eixo interpretativo do processo de modernidade modernização ocidental permite superar dois pressupostos problemáticos do paradigma normativo da modernidade: (a) a endogenia, a autonomia, a autorreferencialidade e a autossubsistência da modernidade, que lhe permite prescindir, para sua constituição e compreensão, dos outros da modernidade e, com isso, apagar o colonialismo-racismo de sua estrutura interna; e (b) a cisão e a verticalização entre a modernidade como presente efetivo, atualidade substantiva e abertura ao futuro, enquanto universalismo pós-tradicional via racionalização, versus todos os outros da modernidade como passado antropológico, dada sua condição de tradicionalismo em geral. Com isso, o colonialismo-racismo permite a colocação da diferença, produzida pela modernidade (sob a forma desse mesmo colonialismo-racismo) como base possibilitadora da reconstrução do discurso filosófico-sociológico da modernidade e, aqui, de crítica, reflexivização e transformação da modernização, desconstituindo essa perspectiva unidimensional que coloca a Europa como fonte de toda crítica, de toda legitimação e de todas as possibilidades de transformação relativamente ao humano. A diferença pluralizaria as histórias, as memórias e as experiências da tríade modernidade-colonialismo-racismo, tornando possível a desconstrução da cegueira histórico-sociológica que embasa essa mesma autocompreensão da Europa sobre si mesma e sobre a diferença antropológica.
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