VIVER E INSISTIR NAS RUÍNAS DO ANTROPOCENO: agroecologia e comum no Pampa Sul

Autores

DOI:

https://doi.org/10.46906/caos.n36.77576.p57-79

Palavras-chave:

antropoceno, agroecologia, comum, Pampa Sul.

Resumo

Este artigo analisa como práticas agroecológicas territorializadas no Pampa Sul brasileiro constituem formas de reorganização da vida nas ruínas do Antropoceno, compreendido como fenômeno social historicamente situado e marcado por desigualdades estruturais. Parte-se da crítica à universalização do colapso climático, argumentando que, para amplos setores do Sul Global, a ruína ecológica e social é uma condição histórica associada ao colonialismo, ao racismo e ao capitalismo. Metodologicamente, o estudo se apoia em análise sociológica de experiências agroecológicas, redes territoriais e práticas comunitárias, com ênfase em iniciativas ligadas à agroecologia, ao manejo coletivo dos bens comuns e à permanência no território. Os resultados evidenciam que a agroecologia, quando praticada como comum, ultrapassa o campo técnico-produtivo e se afirma como política do viver, articulando relações multiespécies, temporalidades alternativas ao tempo do capital e práticas de cuidado com sementes, solo e água. Essas experiências produzem uma imaginação política ancorada no presente, que não se orienta por promessas tecnocráticas de salvação, mas pela persistência cotidiana da vida em contextos de crise. Conclui-se que as respostas à crise climática são bloqueadas menos pela ausência de conhecimento do que pela lógica estrutural do capitalismo, e que as práticas agroecológicas no Pampa Sul demonstram a viabilidade de futuros alternativos baseados no comum, na justiça socioambiental e na recusa do colapso como horizonte inevitável.

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Biografia do Autor

Eduarda Paz Trindade, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Doutoranda e mestre em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGS/UFRGS). Bacharela em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), técnica em Agropecuária pelo Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IFSUL) e especialista em Docência na Educação Profissional e Técnica pela Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera. Atua na pesquisa de temas relacionados à soberania alimentar, agroecologia, políticas fundiárias, revitalização rural e racismo fundiário. Sua pesquisa atual investiga, em perspectiva comparada, as estratégias de desenvolvimento rural no Brasil e na China, com foco nas sementes crioulas como patrimônios de resistência, autonomia e identidade. Integra os seguintes grupos de pesquisa: Território, Estado e Raça (TERRA/UFRGS), Grupo de Pesquisa em Associativismo, Contestação e Engajamento (GPACE/UFRGS), Grupo de Pesquisa em Sociologia das Práticas Alimentares (SOPAS/UFRGS) e o Grupo de Pesquisa Trabalho, Agricultura e Movimentos Sociais (TRAMAS/UFSM). Possui experiência com extensão universitária, educação popular, produção técnica e assessoria em políticas públicas voltadas à justiça agrária e à valorização de saberes camponeses e quilombolas. Lattes: http://lattes.cnpq.br/6749239272460173.

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Publicado

2026-06-08

Edição

Seção

DOSSIÊ MUDANÇAS CLIMÁTICAS, NATUREZA E SOCIEDADE

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