ATERRAMENTO, TRANSFIGURAÇÃO E FLORESTANIA COMO MEDIADORES CONCEITUAIS PARA CONSTRUÇÃO DE UM BEM VIVER

Autores

DOI:

https://doi.org/10.46906/caos.n36.77551.p39-56

Palavras-chave:

aterramento, transfiguração, florestania, bem-viver.

Resumo

Com o objetivo central de estabelecer condições para a construção de novas epistemologias e paradigmas de vida em nosso planeta, este artigo realiza uma articulação teórico-metodológica entre dois autores, Bruno Latour e Ailton Krenak, por meio dos conceitos de aterramento, transfiguração e florestania. Como mediadores conceituais, tais conceitos nos levam à possibilidade de construção de um Bem Viver, uma nova proposta paradigmática e epistemológica de construção de vida em nosso planeta, estreitamente conectada à natureza e a todos os demais seres e entidades que coabitam conosco o nosso mundo. Essa proposta, a do Bem Viver, é compilada nas obras de Alberto Acosta, um terceiro autor em diálogo, e será articulada justamente pela mediação dos conceitos mencionados acima. Por meio de uma revisão das obras dos autores, o artigo procura um diálogo epistemológico de construção presente e futura de vida em nosso planeta, e a proposta do Bem Viver sintetiza essas discussões como forma elucidativa de transformação possível das maneiras pelas quais estruturamos a construção de nossos coletivos de humanos e não humanos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Pedro Vanzo, Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Possui graduação em Ciências Sociais, com habilitação em Licenciatura, pela Universidade Federal do Paraná - UFPR. Possui Mestrado e Doutorado em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação de Sociologia (PPGSocio) da mesma instituição (UFPR). Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Sociologia Rural, atuando principalmente nos seguintes temas: Sociologia, Sociologia Rural, Reforma Agrária, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); Agroecologia; Redes Agroalimentares Alternativas; Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE); Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Lattes: http://lattes.cnpq.br/0213676570432637.

Alfio Brandenburg, Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Docente do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Meio Ambiente e Desenvolvimento da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Lattes: http://lattes.cnpq.br/9418421009456502.

Referências

ACOSTA, Alberto. Das teorias da dependência ao bem-viver: reflexionando para sair da armadilha do desenvolvimento. Prólogo. In: MEDINA, Tahina Ojeda; VILLAMAR, María del Carmen Villarreal. Pensamento crítico latino-americano sobre desenvolvimento. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: CLACSO, 2021.

ACOSTA, Alberto. O bem viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos. São Paulo: Autônoma Literária: Elefante, 2016.

CPT – COMISSÃO PASTORAL DA TERRA. Conflitos no campo Brasil 2022. Goiânia: CPT Nacional, 2022. Disponível em: https://cptnacional.org.br/wp-content/uploads/2025/03/livro-2022-v21-web.pdf. Acesso em: 06/03/2026.

FERNANDES, Florestan. Sociedade de classes e subdesenvolvimento. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1972.

HARAWAY, Donna. Antropoceno, capitaloceno, plantationoceno, chthuluceno: fazendo parentes. ClimaCom – Vulnerabilidade, Campinas, ano 3, n. 5, 2016. Disponível em: https://climacom.mudancasclimaticas.net.br/antropoceno-capitaloceno-plantationoceno-chthuluceno-fazendo-parentes/. Acesso em: 6 maio 2026.

HARAWAY, Donna. Quando as espécies se encontram. São Paulo: Ubu Editora, 2022.

KRENAK, Ailton. Futuro ancestral. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.

LATOUR, Bruno. Onde aterrar? Como se orientar politicamente no antropoceno. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020.

LATOUR, Bruno. Reagregando o social: uma introdução à teoria do ator-rede. Salvador: EDUFBA; Bauru: EDUSC, 2012.

MARTÍNEZ-ALIER, Joan. O ecologismo dos pobres: conflitos ambientais e linguagens de valoração. São Paulo: Contexto, 2018.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais: perspectivas latino-americanas. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: CLACSO, 2005.

SAID, Edward W. Orientalismo: o Oriente como invenção do Ocidente. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

SANTOS, Boaventura de Sousa (org.). A globalização e as ciências sociais. São Paulo: Cortez, 2002.

SANTOS, Boaventura de Sousa. O fim do império cognitivo: a afirmação das epistemologias do Sul. Belo Horizonte: Autêntica, 2020.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Para uma sociologia das ausências e uma sociologia das emergências. In: SANTOS, Boaventura de Sousa. Conhecimento prudente para uma vida decente. São Paulo: Cortez, 2004. p. 777–813.

SPIVAK, Gayatri Chakravorty. Pode o subalterno falar? Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010.

VANZO, Pedro; AMSTEL, Narayana. Novos paradigmas epistemológicos: atores humanos e não humanos na ampliação das experiências sociais. Ser Social, Brasília, DF, v. 26, n. 52, p. 106–124, jan./jun. 2023. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/SER_Social/article/view/45365. Acesso em: 06/02/2026.

WALLERSTEIN, Immanuel. O sistema mundial moderno.: a agricultura capitalista e as origens da economia-mundo europeia no século XVI. Porto: Afrontamento, 1974a. v. 1.

WALLERSTEIN, Immanuel. O sistema mundial moderno: o mercantilismo e a consolidação da economia-mundo europeia, 1600–1750. Porto: Afrontamento, 1974b. v. 2.

Downloads

Publicado

2026-06-08

Edição

Seção

DOSSIÊ MUDANÇAS CLIMÁTICAS, NATUREZA E SOCIEDADE

Artigos Semelhantes

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.