NÃO HÁ FUTURO SEM CHÃO: colapso climático, solos urbanos e a política da sobrevivência

Autores

DOI:

https://doi.org/10.46906/caos.n36.77629.p104-121

Palavras-chave:

mudanças climáticas, solos urbanos, injustiça ambiental, política da sobrevivência.

Resumo

O aprofundamento das mudanças climáticas tem evidenciado os limites ecológicos, políticos e epistemológicos das sociedades urbanas contemporâneas, sobretudo em territórios marcados por desigualdades socioambientais estruturais. Este artigo desenvolve uma análise teórico-analítica do solo urbano como operador sociológico do colapso climático, examinando como sua materialidade permite articular a produção social do risco, a territorialização das desigualdades e as disputas políticas que estruturam as cidades contemporâneas. Argumenta-se que o solo condensa processos históricos de injustiça ambiental, decisões políticas orientadas pela sobrevivência do poder e práticas situadas de permanência da vida em contextos de degradação socioecológica. Em diálogo com a sociologia do risco, a teoria da sobrevivência política, a antropologia das ruínas e contribuições recentes da ciência do solo sob mudanças climáticas, sustenta-se que a crise climática revela uma tensão estrutural entre a sobrevivência dos regimes sociopolíticos e a sobrevivência da vida. Defende-se que não há futuro sem chão porque é no solo urbano que se materializam os conflitos centrais do Antropoceno periférico, exigindo uma política da permanência ancorada em saberes situados, práticas educativas e éticas de cuidado com a Terra.

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Biografia do Autor

Márcio Silveira Nascimento, Instituto Federal do Amazonas (IFAM)

Doutorando e mestre em Ensino Tecnológico pelo Instituto Federal do Amazonas (IFAM). Especialista em Docência para a Educação Profissional e Tecnológica pelo Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) e Graduado em Geografia pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Pesquisador dos Grupos de Pesquisa do CNPq: Utilização de Recursos Naturais Amazônicos no Processo de Ensino e Aprendizagem (URNAE/IFAM) e Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Públicas e Formação de Profissionais da Educação (GEPPFOR/UFV). Professor da Educação Básica da Rede Estadual de Ensino do Amazonas. Lattes: http://lattes.cnpq.br/8031168879901616.

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Publicado

2026-06-08

Edição

Seção

DOSSIÊ MUDANÇAS CLIMÁTICAS, NATUREZA E SOCIEDADE

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