NÃO HÁ FUTURO SEM CHÃO: colapso climático, solos urbanos e a política da sobrevivência
DOI:
https://doi.org/10.46906/caos.n36.77629.p104-121Palavras-chave:
mudanças climáticas, solos urbanos, injustiça ambiental, política da sobrevivência.Resumo
O aprofundamento das mudanças climáticas tem evidenciado os limites ecológicos, políticos e epistemológicos das sociedades urbanas contemporâneas, sobretudo em territórios marcados por desigualdades socioambientais estruturais. Este artigo desenvolve uma análise teórico-analítica do solo urbano como operador sociológico do colapso climático, examinando como sua materialidade permite articular a produção social do risco, a territorialização das desigualdades e as disputas políticas que estruturam as cidades contemporâneas. Argumenta-se que o solo condensa processos históricos de injustiça ambiental, decisões políticas orientadas pela sobrevivência do poder e práticas situadas de permanência da vida em contextos de degradação socioecológica. Em diálogo com a sociologia do risco, a teoria da sobrevivência política, a antropologia das ruínas e contribuições recentes da ciência do solo sob mudanças climáticas, sustenta-se que a crise climática revela uma tensão estrutural entre a sobrevivência dos regimes sociopolíticos e a sobrevivência da vida. Defende-se que não há futuro sem chão porque é no solo urbano que se materializam os conflitos centrais do Antropoceno periférico, exigindo uma política da permanência ancorada em saberes situados, práticas educativas e éticas de cuidado com a Terra.
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