A PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA COMO MEIO PARA FABULAR FINS DE MUNDO POSSÍVEIS: science fiction e mudanças climáticas
DOI:
https://doi.org/10.46906/caos.n36.78478.p17-38Palavras-chave:
sociologia da natureza, antropoceno, discurso ambiental, ecocapitalismo.Resumo
Esse artigo deriva de um recorte de estudo anterior que tem como objetivo analisar como a série Extrapolations, um futuro inquietante (2023) mobiliza o discurso ambiental para discutir as mudanças climáticas ao levantar questionamentos sobre as consequências das ações humanas frente aos eventos climáticos extremos. No presente trabalho a análise concentra-se no primeiro episódio da série intitulado “2037: A história do corvo”, considerado como estruturante para apresentação da fabulação que circunscreve toda a obra, para compreender como dialoga com os dados científicos para a construção de sua narrativa. A partir de uma seleção de cenas e diálogos centrados na apresentação de dados sobre as mudanças climáticas e quais possíveis respostas a esses cenários, com a intenção de explorar como a série constrói sua narrativa fabulatória e a sua relação com o discurso ambiental abstrato. Nesse contexto, evidencia-se as conexões estabelecidas entre elementos ficcionais e dados científicos, destacando como esses elementos são mobilizados e extrapolados, visto que a transmissão da informação e o ato de narrar diferentes histórias é atravessado por escolhas estéticas e políticas que moldam formas específicas de perceber e reagir às mudanças climáticas. Conclui-se que a série faz uso de críticas ambíguas para refletir o lugar do humano e do não humano no processo de mundos possíveis, ao posicionar a tecnologia como eixo central na construção de possibilidades, apresentada como a melhor e mais eficaz alternativa, ignorando e silenciando as dimensões da desigualdade, a disputa pelo monopólio intelectual e a concentração de poder e exploração.
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