FINS DE MUNDO, MUDANÇAS CLIMÁTICAS, PRODUÇÃO DO ESPAÇO E A VIDA NAS RUÍNAS DO ANTROPOCENO EM SÃO GONÇALO (RJ)
DOI:
https://doi.org/10.46906/caos.n36.77609.p80-103Palavras-chave:
mudanças climáticas, produção do espaço, desigualdade socioambiental, vulnerabilidade climática.Resumo
O presente artigo tem como objetivo analisar as mudanças climáticas como um fenômeno social e espacialmente produzido no contexto do Antropoceno, defendendo que o colapso climático se manifesta como múltiplos “fins de mundo” territorializados e desigualmente distribuídos. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa de caráter teórico-conceitual, articulada à análise de dados secundários sobre eventos climáticos extremos no município de São Gonçalo (RJ), com base em séries históricas entre 2004 e 2024. Os resultados evidenciam que os chamados desastres naturais são, na realidade, socialmente produzidos, resultantes da urbanização desigual, da precariedade da governança urbana e da concentração de populações vulneráveis em áreas de risco, o que torna os impactos climáticos recorrentes e estruturais no cotidiano local. Além disso, observa-se que tais impactos são racializados e territorialmente concentrados, reforçando desigualdades históricas associadas ao capitalismo e ao colonialismo. Conclui-se que a crise climática não pode ser compreendida como um fenômeno universal e homogêneo, mas como expressão de relações de poder e da produção desigual do espaço, exigindo abordagens críticas que articulem justiça climática, planejamento urbano e enfrentamento das desigualdades socioambientais.
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