CRIANÇA RUEIRA
POR UMA ÉTICA DO CUIDADO QUE AFIRME A REDUÇÃO DE DANOS E PRODUÇÃO DE AUTONOMIA
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1887-8214.2026v4n1.78665Resumo
O presente artigo problematiza o cuidado em saúde mental de crianças e adolescentes a partir da noção de “criança rueira”, articulando Redução de Danos, Rede de Atenção Psicossocial e políticas de proteção à infância. Critica-se a leitura moralizante que associa a rua exclusivamente ao risco, propondo compreendê-la como território de produção de vínculos, saberes e modos de existência. O uso de álcool e outras drogas é analisado não como causa isolada da vulnerabilidade, mas como elemento inserido em trajetórias marcadas por determinantes sociais, afetivos e territoriais. Discute-se ainda as tensões nas políticas de proteção, evidenciando como práticas institucionais podem reproduzir exclusão e criminalização, sobretudo de crianças negras e periféricas. No campo da saúde mental, destaca-se a importância de uma escuta territorializada e em rede, alinhada à luta antimanicomial e à Redução de Danos. A produção de autonomia é compreendida como processo coletivo, sustentado por práticas educativas e articulação intersetorial. Conclui-se que o cuidado exige o deslocamento de modelos normativos para uma ética que reconheça a potência dos territórios e promova a ampliação da vida.
Palavras-chave: Criança rueira; Redução de Danos; Atenção Psicossocial.
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