ENTRE GRINALDAS E BUQUÊS: A MULHER NA FICÇÃO DE LIMA BARRETO

Resumo

Triste Fim de Policarpo Quaresma é um romance escrito em terceira pessoa que discute principalmente as questões do nacionalismo, personificadas na figura do Major Quaresma. Se os historiadores oficiais retratavam as lutas pela consolidação da República, Lima Barreto documentou o povo oprimido, suburbano, adotando a linguagem mais próxima do coloquial como escolha estética para alcançar o grande público – constituindo também uma crítica irônica à caricatura do Brasil da Belle Époque. Analisamos neste trabalho as imagens da mulher na obra Triste Fim de Policarpo de Quaresma, de Lima Barreto (2007). Para tanto, utilizamos como aporte teórico as indicações de Lúcia Osana Zolin (2009), Toril Moi (2006) e Michelle Perrot (2007) acerca das representações da mulher na sociedade e suas ressonâncias no texto literário. A partir dos estudos de Alfredo Bosi (2006) integra-se a produção literária de Lima Barreto ao contexto mais amplo do pré-modernismo brasileiro.

Biografia do Autor

Jurema da Silva Araújo, Universidade Estadual do Rio Grande do Norte - UERN
Doutoranda em Letras pela Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, campus Avançado Prof.ª Maria Elisa de Albuquerque Maia-CAMEAM. Mestre em Letras pela Universidade Estadual do Piauí (biênio 2011-2013). Graduada em Letras Português pela Universidade Estadual do Piauí (2011). Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Piauí (2009). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Brasileira, atuando principalmente nos seguintes temas: crítica feminista, relações de gênero e poder e literaturas regionais.

Referências

BARRETO, Lima. Triste Fim de Policarpo Quaresma. São Paulo: Saraiva, 2007.

BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 2006.

HAHNER, June Edith. Emancipação do feminino: a luta pelos direitos da mulher no Brasil, 1850-1940. Trad. Eliane Lisboa. Florianópolis: Ed. Mulheres; Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2003.

LOURENÇO, Sandra. Gênero: acepções e considerações. Revista Capital Científico, Guarapuava. v. 2, nº 1. pp. 65-78, jan./dez. 2004.

MEYER, Marlyse. Folhetim – uma história. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

MOI, Toril. Teoría literaria feminista. Madrid: Cátedra, 2006.

PERROT, Michelle. Mulheres. In: Os excluídos da história: operários, mulheres e prisioneiros. Trad. Denise Bottman. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988. p. 165-231.

PERROT, Michelle. O corpo. In: Minha história das mulheres. Trad. Angela M. S. Côrrea. São Paulo: Contexto, 2007.

PERROT, Michelle. Minha história das mulheres. Trad. Angela M. S. Corrêa. São Paulo: Contexto, 2008.

REUTER, Yves. A análise da narrativa: o texto, a ficção e a narração. Trad. Mario Pontes. Rio de Janeiro: DIFEL, 2007.

ROCHA-COUTINHO, Maria Lúcia. Tecendo por trás dos panos: a mulher brasileira nas relações familiares. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.

SAFFIOTI, Heleieth Iara Bongiovani. O poder do macho. São Paulo: Moderna, 1987.

SAFFIOTI, Heleieth Iara Bongiovani. Gênero, patriarcado, violência. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2004.

SCOTT, Joan Wallach. Gênero: uma categoria útil para análise histórica. Educação & Realidade: Porto Alegre, vol. 20, nº 2, jul./dez. 1995, p. 71-99.

ZOLIN, Lúcia Osana. Crítica feminista. In: BONNICI, Thomas; ZOLIN, Lúcia Osana (orgs.). Teoria literária: abordagens históricas e tendências contemporâneas. Maringá: EDUEM, 2009. pp. 217-242.

Publicado
2016-05-04
Como Citar
ARAÚJO, J. DA S. ENTRE GRINALDAS E BUQUÊS: A MULHER NA FICÇÃO DE LIMA BARRETO. Letras & Ideias, v. 1, n. 1, p. 14-28, 4 maio 2016.
Seção
Artigos