A presença poética de Blaise Cendrars na Libertinagem de Bandeira: entre o diálogo e a omissão

  • José Diego Cirne Santos Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

Resumo

Este artigo visa analisar o diálogo poético estabelecido entre a poesia do pernambucano Manuel Bandeira e a obra do franco-suíço Blaise Cendrars. Sua vinda ao Brasil, na década de 20, representou um dos pontos altos das propostas multiculturais do nosso Modernismo e deixou profundas marcas nas produções culturais dos principais nomes do movimento no país. Dentre essas, destaca-se a possível influência que o seu lirismo, calcado em um irônico prosaísmo voltado para o cotidiano, exerceu sobre o estilo poético de Bandeira. Com o intuito de tratarmos melhor essa questão, tencionamos debater esse diálogo por meio de um levantamento das consequências deixadas pela presença de Cendrars entre nós e de uma exposição crítica acerca da trajetória poética do autor brasileiro, desde A cinza das horas até Libertinagem, livro no qual a sua poesia atinge o ápice da maturidade artística e melhor se constata, a nosso ver, essa interface literária com o escritor europeu em pauta. Para tal, recorreremos a algumas fontes primordiais: dois artigos de Manuel Bandeira sobre Blaise Cendrars, presentes em A aventura brasileira de Blaise Cendrars (2001); sua autobiografia literária Itinerário de Pasárgada (1984); e, por fim, seu compêndio poético Estrela da vida inteira (1993). Além disso, nos apoiarmos nos juízos, a respeito desse assunto, de Davi Arrigucci, em “Bandeira lê Cendrars” (2003), e de Eduardo dos Santos Coelho, na sua tese “Arqueologia da composição: Manuel Bandeira” (2009).

Referências

ARRIGUCCI JR., D. Bandeira lê Cendrars. In: ARRIGUCCI JR., D. Humildade, paixão e morte: a poesia de Manuel Bandeira. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.

BANDEIRA, M. Itinerário de Pasárgada. Rio de Janeiro: Record, 1984.

BOSI, A. História concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix, 2001.

COELHO, E. S. Arqueologia da composição: Manuel Bandeira. Tese (Doutorado em Letras) – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2009.

EULÁLIO, A (org.). A aventura brasileira de Blaise Cendrars: ensaio, cronologia, filme, depoimentos, antologia, desenhos, conferências, correspondência, traduções. Edição revista e ampliada por Carlos Augusto Calil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Fapesp, 2001.

HOUAISS, A.; VILLAR, M. S.; FRANCO, F. M. M. Dicionário Houaiss de língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

KOSHIYAMA, J. O lirismo em si mesmo: leitura de “Poética” de Manuel Bandeira. In: BOSI, A. (org.). Leitura de poesia.São Paulo: Ática, 2003.

MOISÉS, M. História da Literatura Brasileira: Modernismo. São Paulo: Cultrix, 1996.

Publicado
2018-07-02
Como Citar
SANTOS, J. D. C. A presença poética de Blaise Cendrars na Libertinagem de Bandeira: entre o diálogo e a omissão. Letras & Ideias, v. 2, n. 1, p. 97-113, 2 jul. 2018.
Seção
Artigos