Cantares de lamento e saudade: a lírica neotrovadoresca na poesia de Hilda Hilst

  • Letícia Simões Velloso Schuler Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

Resumo

Com o advento da psicanálise, no fim do século XIX, a melancolia ganha novos ornamentos em relação aos estudos realizados ao longo da história, inscrevendo-se no catálogo de estruturas clínicas, e sendo caracterizada como uma psicose maníaco-depressiva. Sigmund Freud, o fundador desse campo de saber, foi um dos estudiosos que promoveu escritos mais relevantes nessa área. A partir disso, o presente trabalho, numa conexão entre literatura e psicanálise, pretende examinar, no poema “VIII”, que compõe a coletânea Cantares de perda e predileção, publicado em 1983, da escritora brasileira Hilda Hilst, o discurso e as imagens que possibilitam a sustentação de uma estética da melancolia, marcada pela fragmentação do eu-lírico. O texto selecionado compõe um movimento literário que tem como principal característica a referência e o resgate de tradições historicamente consolidadas, o trovadorismo, que nas últimas décadas foi retomado pelo neotrovadorismo. Baseando-nos em sua estética, percebemos que o poema nos remete à certa melancolia presente nas cantigas de amigo, um dos gêneros mais significativos que compunha essa tradição durante a primeira fase da literatura portuguesa.

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Publicado
2018-12-28
Como Citar
Schuler, L. S. V. (2018). Cantares de lamento e saudade: a lírica neotrovadoresca na poesia de Hilda Hilst. Letras & Ideias, 2(2), 181-191. Recuperado de https://periodicos.ufpb.br/index.php/letraseideias/article/view/45176
Seção
Artigos