O que diz o silêncio: discurso e ausência da voz feminina em O assassino cego, de Margaret Atwood

Resumo

Este artigo tem como objeto de estudo o romance O assassino cego, da autora canadense Margaret Atwood, com enfoque na representação de relações de gênero e dominação através do silêncio feminino em resposta à presença da voz masculina no texto. Será analisada a relação da protagonista Iris Chase e de seu marido, Richard, em específico no capítulo “Postcards from Europe”, que retrata sua lua-de-mel emocionalmente conturbada. Ao invés de diálogos entre o casal, a autora nos apresenta engajamentos quase unilaterais, uma vez que a voz de Iris frequentemente é suprimida pela de Richard, surgindo fracamente sempre que encontra a dele, em oposição ao discurso que emprega nas suas interações com outras personagens, em especial personagens femininas. Com base nas análises de discurso de Foucault (1996) e Johnstone (2008) e nos estudos feministas de Beauvoir (2009), investigaremos de que modo essas escolhas narrativas acentuam a relação desigual entre ambos os personagens, ilustrando o desequilíbrio de poder entre gêneros observável no contexto das relações tradicionais.

Biografia do Autor

Isabor Meneses Quintiere, Universidade Federal da Paraíba

Formada em Letras - Inglês pela Universidade Federal da Paraíba (2013-2017). Mestranda no PPGL pela Universidade Federal da Paraíba (2019-2021).

Genilda Azerêdo, Universidade Federal da Paraíba

Possui graduação em Licenciatura Plena em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (1985), Especialização em Literatura Anglo-Americana (1986), Mestrado em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (1990) e Doutorado em Letras (Inglês e Literaturas de língua inglesa) pela Universidade Federal de Santa Catarina (2001). Realizou Estágio Pós-Doutoral na UFSC (2018). Atualmente é professora Titular da Universidade Federal da Paraíba. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literaturas Estrangeiras Modernas, atuando principalmente nas seguintes áreas: narratologia e intermidialidade; cinema e literatura; adaptação fílmica; teorias da narrativa literária e fílmica; narrativas poéticas.

Referências

ATWOOD, Margaret. The blind assassin. Canada: Anchor, 2001. 521 p.

BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1970. 4. ed. 309 p.

FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. São Paulo: Edições Loyola, 1999.

JOHNSTONE, Barbara. Discourse analysis. United Kingdom: Blackwell Publishing, 2008. 2. ed. 311 p.

MIGUEL, Luis Felipe. Voltando à discussão sobre capitalismo e patriarcado. Estudos feministas, Florianópolis, 2017. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/1806-9584.2017v25n3p1219>. Acesso em: 13 jul. 2019.

SOLNIT, Rebecca. Silence and powerlessness go hand in hand - women's voices must be heard. The Guardian. 8 mar. 2017. Disponível em: <https://www.theguardian.com/commentisfree/2017/mar/08/silence-powerlessness-womens-voices-rebecca-solnit>. Acesso em: 2 jul. 2019.

Publicado
2019-07-25
Como Citar
QUINTIERE, I. M.; AZERÊDO, G. O que diz o silêncio: discurso e ausência da voz feminina em O assassino cego, de Margaret Atwood. Letras & Ideias, v. 3, n. 1, p. 62-75, 25 jul. 2019.
Seção
Dossiê: Tendências contemporâneas de autoria feminina