"Há sempre uma clausura pronta a quem levanta a grimpa contra os usos": representações do feminino nas Novas Cartas Portuguesas

  • Marcelo Franz Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR, Campus Curitiba-PR)

Resumo

Analisamos neste artigo o livro Novas cartas portuguesas, escrito em 1972 pelas “três Marias” (Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa). A obra foi um importante evento editorial de sua época devido à polêmica que causou e à censura que recebeu do governo português nos últimos momentos do Estado Novo. No livro, a releitura intertextual atualizada das Cartas Portuguesas, escritas no século XVII por Mariana Alcoforado, pretende discutir e combater a sujeição da mulher na sociedade, impedida da livre expressão de sua voz e de seu corpo. Para além dos temas de que tratam essas cartas, os elementos geradores do escândalo que causaram podem ser localizados na composição do texto. Investigaremos o significado da opção das autoras pelo discurso epistolar, com os vários sentidos dessa iniciativa, entendida em paralelo com o fato de se tratar de uma escrita de mulheres, tratando de temas femininos e carregada de uma dicção erotizada.

Biografia do Autor

Marcelo Franz, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR, Campus Curitiba-PR)

Marcelo Franz é graduado em Letras Português-Francês pela UFPR, mestre em Literatura Brasileira pela UFPR, doutor em Literatura Portuguesa pela USP e pós-doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP. É professor de literaturas de Língua Portuguesa e teoria da literatura no curso de Letras da UTFPR, Campus Curitiba-PR.

Referências

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Publicado
2019-07-25
Como Citar
FRANZ, M. "Há sempre uma clausura pronta a quem levanta a grimpa contra os usos": representações do feminino nas Novas Cartas Portuguesas. Letras & Ideias, v. 3, n. 1, p. 76-89, 25 jul. 2019.
Seção
Dossiê: Tendências contemporâneas de autoria feminina