RAZÃO POÉTICA E EXPERIÊNCIA AMOROSA:
A FIGURA DE HELOÍSA NO PENSAMENTO FILOSÓFICO DE MARÍA ZAMBRANO
DOI:
https://doi.org/10.7443/problemata.v17i1.78889Palavras-chave:
María Zambrano, Heloísa de Argenteuil, Experiência amorosa, Razão poéticaResumo
Este artigo analisa a interpretação que a filósofa espanhola María Zambrano (1904-1991) elabora das cartas amorosas de Heloísa de Argenteuil (c.1090-1164) a Pedro Abelardo, no século XII. A metodologia adotada é de natureza teórico-bibliográfica, fundamentando-se na análise do ensaio zambraniano "Eloísa ou a presença da mulher" (1945), em diálogo com as cartas de Heloísa, com outros textos de Zambrano e com a fortuna crítica especializada. A partir das cartas, Zambrano problematiza as expectativas sociais e os papéis de gênero, criticando a tradição filosófica ocidental que confinou a mulher a uma existência metafísica, idealizada e dissociada da experiência concreta. Em contraposição às figuras da donzela e da bruxa, Heloísa emerge como uma forma singular de existência, que rompe com tais modelos ao afirmar sua experiência por meio da palavra. Os resultados evidenciam como, nas cartas, o amor deixa de ser só um sentimento para se constituir como via de conhecimento, deslocando os limites impostos à subjetividade feminina. Dentro da compreensão zambraniana, os textos de Heloísa configuram-se como um ponto de interseção e de articulação entre experiência amorosa, pensamento e vida.
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Referências
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