PARIR DEUSES:
PARIR DEUSES: O DELÍRIO E O DELÍRIO DA PERSEGUIÇÃO EM MARÍA ZAMBRANO
DOI:
https://doi.org/10.7443/problemata.v17i1.78856Palavras-chave:
Delírio, Sagrado, Divino, Cultura, Razão PoéticaResumo
Este trabalho investiga o tema do delírio e, especificamente, o delírio da perseguição no pensamento de María Zambrano, a partir de O Homem e o Divino (1995). A pesquisa se orienta pela análise de como o delírio da perseguição se relaciona com o sagrado e o divino na referida obra. Desse modo, explora-se a relação ontológica e existencial entre o ser humano e o sagrado que produz os deuses. Na fenomenologia de Zambrano, há uma necessidade humana iniludível de conhecimento, como enxergar na ocultação do sagrado, o totalmente Outro. Assim surge o primeiro e mais decisivo delírio, o delírio da perseguição, no qual o humano se sente perseguido mas não sabe pelo quê e passa a perseguir esse Outro. Dessa lacuna, nascem os deuses, a esfera intermediária entre a humanidade e o sagrado. Assim, poderíamos compreender o divino como uma máscara do sagrado, que dá rosto e nome à ocultação original da realidade. As metáforas da luz e do parto são meios através dos quais a Razão Poética se revela. Em suma, parir deuses pelo delírio persecutório é uma germinação da cultura, a partir da qual as humanidades se diversificam e organizam o sagrado, o divino e o humano.
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