A descoberta do corpo selvagem
o excerto do corpo infantil ao vigor efebo
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.2764-4251.2022.n1.65833Palabras clave:
Puberdade, Clarice Lispector, FreudResumen
Nascida em Chechelnyk, uma pequena cidade da região de Vinnytsia, Ucrânia; Clarice Lispector naturalizou-se no Brasil aos poucos meses de nascida. A autora, no conto Cem anos de perdão, retrata a passagem da fase infantil para o despertar da adolescência, fase na qual para Lacan (1974) apontara que a adolescência fornecia o paradigma da simetria com os outros e a impossibilidade de encontros mútuos. Relacionamentos com o sexo oposto são contaminados pela proibição. Lacan desenvolveu essa ideia em seu “Prefácio a O Despertar da primavera”, de Wedeking”, traduzido por François Regnault na década de 1970 e apresentado na Associação Psicanalítica de Viena em 1907. Produto cindido de mundos reprimidos e impulsivos. Nesse ponto da adolescência, onde essa dicotomia existe fortemente, os recursos que a criança usa não são mais permitidos para explorar o outro, mas sim para enfrentar esse descompasso entre sujeitos e pulsões divididas. Como tal, a autora tenta demonstrar a descoberta do corpo infantil
para o corpo adolescente, através do simbolismo e de sutilezas conhecidas em sua escrita cativante, intimista e poética. De modo a
subsidiar nossa investigação, utilizaremos como arcabouço teórico textos como Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, Sigmund
Freud (1905), Estrutura e romance familiar na adolescência, de Serge Cottet (1996) e Dicionário de símbolos, de Jean Chavelier (2007).
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