Etnografar políticas públicas de saúde:
a produção de uma resposta local ao HIV/AIDS
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.2447-9837.2026.n21.75566Resumo
O presente artigo dialoga com os debates de antropologia nas políticas públicas para analisar a produção local de uma resposta à epidemia de HIV/AIDS. A partir de um olhar etnográfico, será percorrida a história de um Programa Municipal da região metropolitana de Buenos Aires, analisando os modos pelos quais as trajetórias pessoais e profissionais dos integrantes da equipe de saúde, suas redes de relações pessoais e institucionais, as características da demanda de atenção local e as diretrizes nacionais e globais de governança da epidemia — em articulação com a disponibilidade de biotecnologias e financiamentos específicos — se entrelaçam na produção de uma resposta situada. No contexto contemporâneo de governança global do HIV/AIDS, caracterizado por uma crescente universalização e padronização das intervenções baseadas no uso de biotecnologias, com pouca ou nenhuma atenção aos contextos locais, destacamos o caráter histórico e situado das respostas políticosanitárias, a fim de abordá-las em toda a sua complexidade. Mostramos, por um lado, que a produção local de políticas envolve processos complexos, desordenados e repletos de ambiguidades. Por outro lado, abordamos as formas pelas quais os agentes estatais mobilizam uma capacidade criativa e uma autonomia relativa que lhes permite — mesmo constrangidos pelo marco institucional — criar modalidades estatais de ação política inovadoras.
Palavras-chave: Saúde global. Políticas públicas. Biotecnologias. Epidemias.
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