Micropolíticas da experiência da fibromialgia no capitalismo contemporâneo:
pobreza, diagnóstico e subjetivação
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.2447-9837.2026.n21.76501Resumo
Este trabalho descreve e analisa as experiências de pessoas que vivem com fibromialgia, com foco em dois processos centrais no âmbito do capitalismo contemporâneo: a formação de conhecimento sobre a doença através da vivência dos sintomas e suas consequências no âmbito da subjetivação em contextos de vulnerabilidade e pobreza. Busca-se compreender a relação que se estabelece entre a sensação fisiológica da dor e as explicações construídas para organizá-la em termos físicos e de significado em meio a severas restrições de recursos financeiros. Isso se dá principalmente em relação direta com saberes biomédicos e com a precarização do sistema de saúde pública. Observa-se que os itinerários terapêuticos são realçados por agenciamentos materiais e corporais sob a égide do sistema econômico. Esta experiência da doença emerge através de uma micropolítica a partir de dinâmicas familiares e laborais centradas na expectativa de um retorno à produtividade, revelando como a concepção de saberes sobre a doença se torna central na experiência fibromiálgica. Essa produção do conhecimento confere um campo de possibilidades aos adoecidos, uma vez que oferece as ferramentas para entender o sofrimento e oferecer elucidações a respeito, diante de um cenário de pressões coletivas. O artigo se baseia em pesquisa etnográfica em andamento a partir da observação de itinerários terapêuticos e de interações em serviços de saúde públicos e particulares no Rio Grande do Norte com o auxílio de entrevistas abertas e em profundidade.
Palavras-chave: Fibromialgia. Conhecimento. Capitalismo. Subjetivação.
Arte da capa: autoria de Francisco Cleiton Vieira, datada de 2026, retirada durante trabalho de campo etnográfico acompanhando uma atividade pública do GAMF (Grupo de Apoio Mútuo aos Pacientes Fibromiálgicos e de Dor Crônica) em Natal, RN.
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