A gira das mulheres em marcha: uma abordagem psicossociológica das práticas comunitárias na luta pela vida

Autores

  • Bárbara Cristina Pelacani da Cruz Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Ricardo Lopes Correia Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Rio de Janeiro, RJ - Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.1887-8214.2025v40n1.75952

Palavras-chave:

Psicossociologia Comunitária, Ecologia Social, Marcha das Margaridas, Mulheres Indígenas

Resumo

O trabalho trata das estratégias e práticas coletivas das mulheres participantes da Marcha das Margaridas e da Marcha das Mulheres Indígenas, realizadas em Brasília-DF, compreendendo-as enquanto um fenômeno psicossociológico e ecologicamente social das práticas comunitárias. Com o objetivo de identificar a potência do encontro das marchas e compreendê-las enquanto fazeres e estratégias psicossociais, empregamos a análise de documentos produzidos no âmbito das mobilizações, associada à observação participante nos eventos de organização das marchas e realização e participação nas rodas de conversa, levando os dados documentais para reverberação nos campos de ação das mulheres. O estudo ancora-se em referenciais feministas interseccionais, filosofias afro-brasileiras e indígenas e da psicologia comunitária latino-americana, enfatizando as práxis dos movimentos sociais, os saberes situados e a construção coletiva de conhecimento. Nesse percurso, identificou-se como conceito central a categoria gira, que reúne as estratégias e dimensões coletivas das mulheres em movimento. A gira representa os espaços de circularidade, cura e confluência, onde os conflitos vivenciados pelas mulheres e suas comunidades são partilhados, suas formas de mobilização são fortalecidas e são criadas novas articulações para enfrentar injustiças socioambientais. O estudo identifica seis unidades de conteúdo que fundamentam a gira: políticas públicas e direitos; poder e participação; confluência; educação e conhecimento; corpos-territórios; e representatividade. Essas dimensões evidenciam como as marchas produzem agendas políticas próprias, sustentadas pela diversidade de sujeitos e pela construção coletiva de conhecimento, articulando experiências locais a pautas nacionais. Concluímos e iniciamos na gira, enquanto categoria epistemológica, ontológica e política, expressa a potência de um saber sujeito-mulher em movimento, que desafia a linearidade e convoca a circularidade do tempo, do corpo e da política. As marchas revelam-se não apenas como eventos de denúncia, mas como espaços pedagógicos, poéticos-políticos e comunitários que criam metodologias próprias das mulheres.

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Biografia do Autor

Ricardo Lopes Correia , Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Rio de Janeiro, RJ - Brasil.

Docente do Programa de Pós-graduação em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social (EICOS) do Instituto de Psicologia e docente do Departamento de Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Terapeuta ocupacional, e Doutor e Mestre em Ciências da Saúde.

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Publicado

2025-12-29

Como Citar

PELACANI DA CRUZ, Bárbara Cristina; LOPES CORREIA , Ricardo. A gira das mulheres em marcha: uma abordagem psicossociológica das práticas comunitárias na luta pela vida. Revista Ártemis, [S. l.], v. 40, n. 1, 2025. DOI: 10.22478/ufpb.1887-8214.2025v40n1.75952. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/artemis/article/view/75952. Acesso em: 10 fev. 2026.