A gira das mulheres em marcha: uma abordagem psicossociológica das práticas comunitárias na luta pela vida
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1887-8214.2025v40n1.75952Palavras-chave:
Psicossociologia Comunitária, Ecologia Social, Marcha das Margaridas, Mulheres IndígenasResumo
O trabalho trata das estratégias e práticas coletivas das mulheres participantes da Marcha das Margaridas e da Marcha das Mulheres Indígenas, realizadas em Brasília-DF, compreendendo-as enquanto um fenômeno psicossociológico e ecologicamente social das práticas comunitárias. Com o objetivo de identificar a potência do encontro das marchas e compreendê-las enquanto fazeres e estratégias psicossociais, empregamos a análise de documentos produzidos no âmbito das mobilizações, associada à observação participante nos eventos de organização das marchas e realização e participação nas rodas de conversa, levando os dados documentais para reverberação nos campos de ação das mulheres. O estudo ancora-se em referenciais feministas interseccionais, filosofias afro-brasileiras e indígenas e da psicologia comunitária latino-americana, enfatizando as práxis dos movimentos sociais, os saberes situados e a construção coletiva de conhecimento. Nesse percurso, identificou-se como conceito central a categoria gira, que reúne as estratégias e dimensões coletivas das mulheres em movimento. A gira representa os espaços de circularidade, cura e confluência, onde os conflitos vivenciados pelas mulheres e suas comunidades são partilhados, suas formas de mobilização são fortalecidas e são criadas novas articulações para enfrentar injustiças socioambientais. O estudo identifica seis unidades de conteúdo que fundamentam a gira: políticas públicas e direitos; poder e participação; confluência; educação e conhecimento; corpos-territórios; e representatividade. Essas dimensões evidenciam como as marchas produzem agendas políticas próprias, sustentadas pela diversidade de sujeitos e pela construção coletiva de conhecimento, articulando experiências locais a pautas nacionais. Concluímos e iniciamos na gira, enquanto categoria epistemológica, ontológica e política, expressa a potência de um saber sujeito-mulher em movimento, que desafia a linearidade e convoca a circularidade do tempo, do corpo e da política. As marchas revelam-se não apenas como eventos de denúncia, mas como espaços pedagógicos, poéticos-políticos e comunitários que criam metodologias próprias das mulheres.

