“A escrava”, de Maria Firmina dos Reis: uma perspectiva decolonial e ecofeminista
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1887-8214.2026v41n1.78814Palavras-chave:
Ecofeminismo, Decolonialidade, Interseccionalidade, Literatura afrodescendente, Maria Firmina dos ReisResumo
Este trabalho tem por objetivo analisar o conto “A Escrava”, de Maria Firmina dos Reis, a partir de uma perspectiva decolonial e ecofeminista. Firmina escreveu o primeiro romance de autoria feminina brasileiro, Úrsula, pioneiro na defesa do abolicionismo no país. “A Escrava”, publicado originalmente em 1887 na Revista Maranhense, trata da mesma temática. O texto apresenta um diálogo entre uma senhora branca e pessoas convidadas, que, na sala de estar, debatem sobre o fim do sistema escravocrata. Essa senhora defende a urgência da medida, com argumentos morais e religiosos, considerando que o Brasil encontra-se atrasado em relação a outros países, onde povos negros já estavam livres. A personagem relata um episódio em que salvou uma mulher negra fugida de seu algoz e como contrariou o sistema para protegê-la, impondo-se, assim, numa sociedade patriarcal, capitalista e escravocrata. A ótica decolonial tem sustentação teórica em María Lugones (2014 [2010]) e Vandana Shiva (2002 [1989]), entre outras autoras. A perspectiva da ecocrítica conta com fundamentações em Izabel Brandão (2017 e 2019), Karen Barad (2007) e Stacy Alaimo (2010 e 2017 [2007]), nas discussões sobre o espelhamento entre ações da personagem e elementos da natureza, metaforizando a integração profunda entre todos os seres, o que mantém ligação com a abordagem decolonial, uma vez que se contesta a centralidade de seres humanos, com sua suposta superioridade, em detrimento dos mais-que-humanos (Alaimo, 2010).

