Um estudo panorâmico sobre o flâneur confinado
DOI:
https://doi.org/10.67017/breti.v2i02.81493Palavras-chave:
Walter BenjaminResumo
Este artigo discorre sobre a hipótese do flâneur confinado como chave interpretativa para a condição do artista no capitalismo tardio. O texto parte da imagem da condenação do flâneur benjaminiano, já inscrita por Edgar Allan Poe em 1840, no conto O Homem da Multidão, quando o tipo social ainda estava em seu auge. Argumenta-se que o flâneur não desapareceu, mas se refratou em pós-flâneur: expulso da rua, ele internaliza a errância, produzindo imagens da cidade que perdeu. A análise percorre a trajetória do flâneur em Walter Benjamin (da soberania nas passagens cobertas à captura como homem-sanduíche) e demonstra como a fase agônica prepara o confinamento contemporâneo. O artigo conclui que o flâneur confinado, fraturado entre adesismo e resistência, constitui um oxímoro produtivo: mesmo imobilizado e explorado, ainda produz imagens críticas e poéticas.
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