“SEJA DIFERENTE, SEJA VOCÊ?”: uma revisita crítica ao consumo da Revista Capricho na adolescência

Autores

DOI:

https://doi.org/10.46906/caos.n35.72904.p143-167

Palavras-chave:

feminismo, marketing, interseccionalidade, consumo.

Resumo

O objetivo do estudo foi compreender interações entre os marcadores sociais da diferença presentes nas capas da Revista Capricho, a partir das experiências de antigas consumidoras da revista, e analisar o plano de fundo das relações evidenciadas no debate. Para atingir o objetivo proposto, foi realizada uma pesquisa documental e dois grupos focais com sujeitos de idade entre 25 e 30 anos, que, no período da adolescência, foram leitores desta revista. As participantes perceberam ausências de temas relacionados a questões de raça, classe e gênero. Ademais, evidenciaram, no debate, o plano de fundo dessas relações pautadas no capitalismo, racismo, elitismo, colonialismo e sexismo. Este estudo supera a utilização genérica do termo gênero. Além disso, explora compreensões intersubjetivas do feminismo interseccional, expondo os marcadores sociais da diferença e os meios que os tornam visíveis ou invisíveis. O estudo utiliza o feminismo interseccional para refletir sobre formas interseccionais de marginalização, teoria que se encontra em ascensão nas agendas de pesquisa de marketing e comportamento do consumidor. Dentre as implicações do estudo, podemos destacar que, por meio do diálogo, ocorreu o reconhecimento das restrições e condições estimuladas pelo consumo da revista. Ademais, foram reforçados posicionamentos que buscam alinhar estudos em marketing a pauta feministas, evitando o silenciamento desse campo.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Métricas

Carregando Métricas ...

Biografia do Autor

Fernanda de Aguiar Zanola , Universidade Federal de Lavras (UFLA)

Possui graduação em Administração (2017) e mestrado em Marketing, Estratégia e Inovação (2019), Doutorado em  Organizações e Sociedades, todos pela mesma Universidade (UFLA). Além disso, é membra do NEORGS - Núcleo de Estudos em Organizações, Gestão e Sociedade. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7514364333281176

Raphael de Morais, Universidade Federal de Lavras (UFLA)

Graduado em Administração Pública (2016), mestre em Administração (2019) e Doutor em Administração pela Universidade Federal de Lavras (2024). Docente com atuação no ensino profissionalizante e superior na área de Administração e Administração Pública, presencial e a distância. É pesquisador do Núcleo de Estudos em Gestão como Prática Social (NEGEP - UFLA), com interesse nos temas: Agronegócio, Redes Interorganizacionais, Ensino e Pesquisa em Administração, Empreendedorismo e Políticas Públicas. Possui experiência profissional na área de gestão organizacional, departamento pessoal, gestão de pessoas e implementação de ISO 9001. Currículo Lattes:  http://lattes.cnpq.br/2308872302689497

Fernanda Cavalheiro Ruffino Rauber, Universidade Federal de Lavras (UFLA)

Fernanda Cavalheiro Ruffino Rauber é uma pesquisadora e professora brasileira com experiência em administração, gestão e recrutamento. Ela é graduada e mestre em administração com ênfase em Gestão, Organizações e Sociedade, tendo seu foco de pesquisa nas áreas de trabalho, carreira e feminismos. Atualmente, é doutoranda pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), onde seu trabalho tem se concentrado em analisar o papel da identidade de gênero na construção de carreiras. Antes de ingressar na academia, ela trabalhou em empresas do ramo agrícola e de alimentos, onde desenvolveu habilidades em gestão,  recrutamento e seleção, vendas e atendimento ao cliente. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7022905066766116

Referências

ACKER, J. Inequality regimes: gender, class, and race in organizations. Gender & Society, [Thousand Oaks], v. 20, n. 4, p. 441‑464, 2006. Disponível em: https://doi.org/10.1177/0891243206289499. Acesso em: 23 nov. 2025.

ASKEGAARD, S. Consumer culture theory–neo-liberalism’s ‘useful idiots’? Marketing Theory, [London], v. 14, n. 4, p. 507-511, 2014. Disponível em: https://doi.org/10.1177/1470593114545424. Acesso em: 23 nov. 2025.

BAINES, D. Gender mainstreaming in a development project: intersectionality in a post-colonial un-doing? Gender, Work & Organization, United Kingdom, v. 17, n. 2, p. 119-149, 2010. Disponível em: https://doi.org/10.1111/J.1468-0432.2009.00454.X. Acesso em: 23 nov. 2025.

BAUER, M. W.; GASKELL, G. Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. Petrópolis: Editora Vozes, 2015.

BELK, R. W. Qualitative versus quantitative research in marketing. Revista de Negócios, Blumenau, SC, v. 18, n. 1, p. 5-9, 2013. Disponível em: https://ojsrevista.furb.br/ojs/index.php/rn/article/view/3612. Acesso em: 23 nov. 2025.

BETTANY, S. et al. Moving beyond binary opposition: exploring the tapestry of gender in consumer research and marketing. Marketing Theory, United Kingdom, v. 10, n. 1, p. 3-28, 2010. Disponível em: https://doi.org/10.1177/1470593109355244. Acesso em: 23 nov. 2025.

BRAH, A.; PHOENIX, A. Ain’t I a woman? Revisiting intersectionality. Journal of International Women’s Studies, Bridgewater, MA, v. 5, n. 3, p. 75 86, 2004. Disponível em: https://vc.bridgew.edu/jiws/vol5/iss3/8. Acesso em: 23 nov. 2025.

BUTLER, J. Gender trouble: feminism and the subversion of identity. New York: Routledge, 2002.

CHATZIDAKIS, A.; MACLARAN, P. Gendering consumer ethics. International Journal of Consumer Studies, United Kingdom, v. 44, n. 4, p. 316-327, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1111/ijcs.12567. Acesso em: 23 nov. 2025.

CLARKE, V.; BRAUN, V.; HAYFIELD, N. Thematic analysis. In: SMITH, J. A. (org.). Qualitative psychology: a practical guide to research methods. 3. ed. London: SAGE, 2015. p. 222 248.

COLLINS, P. H. Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e política do empoderamento. São Paulo: Boitempo, 2019.

COLLINS, P. H. It’s all in the family: intersections of gender, race, and nation. Hypatia, [S. l.], v. 13, n. 3, p. 62 82, 1998.

CURRIE, D.; KELLY, D. M.; POMERANTZ, S. Girl power: girls reinventing girlhood. New York: Peter Lang, 2009.

DAVIS, A. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo, 2016.

FEDERICI, S. Calibã e a bruxa: mulheres, corpos e acumulação primitiva. São Paulo: Elefante, 2019.

FIRAT, A. F.; TADAJEWSKI, M. Critical marketing – marketing in critical condition. In: MACLARAN, P.; SAREN, M.; STEARNS, J.; TADAJEWSKI, M. (org.). The Sage handbook of marketing theory. London: Sage, 2010. p. 127 150.

FITCHETT, J. A.; PATSIOURAS, G.; DAVIES, A. Myth and ideology in consumer culture theory. Marketing Theory, United Kingdom, v. 14, n. 4, p. 495-506, 2014. Disponível em: https://doi.org/10.1177/1470593114545423. Acesso em: 23 nov. 2025.

GILL, R. Post-postfeminism?: new feminist visibilities in postfeminist times. Feminist Media Studies, London, v. 16, n. 4, p. 610‑630, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1080/14680777.2016.1193293. Acesso em: 23 nov. 2025.

GODOI, Christiane Kleinübing; BANDEIRA-DE-MELLO, Rodrigo; SILVA, Anielson Barbosa da. Pesquisa qualitativa em estudos organizacionais. São Paulo: Saraiva, 2007. v. 1.

GONICK, M. Between “girl power” and “reviving Ophelia”: constituting the neoliberal girl subject. NWSA Journal, Baltimore, v. 18, n. 2, p. 1 23, 2006.

GONZALEZ, L. Racismo e sexismo na cultura brasileira. In: ANPOCS (org.). Ciências sociais hoje. São Paulo: ANPOCS, 1983. p. 223 244.

GOPALDAS, A.; SIEBERT, A. Women over 40, foreigners of color, and other missing persons in globalizing mediascapes: understanding marketing images as mirrors of intersectionality. Consumption Markets & Culture, London, v. 21, n. 4, p. 323 346, 2018.

GRUSZYNSKI, A. C.; CHASSOT, S. S. O projeto gráfico de revistas: uma análise dos dez anos da revista Capricho. Conexão – Comunicação e Cultura, Caxias do Sul, v. 5, n. 10, p. 36–59, 2006.

GUIMARÃES, N. A.; ACCIARI, L. Interview with Patricia Hill Collins. Tempo Social, São Paulo, v. 33, n. 1, p. 287 322, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.11606/0103-2070.ts.2021.174340. Acesso em: 23 nov. 2025.

HEARN, J.; HEIN, W. Reframing gender and feminist knowledge construction in marketing and consumer research: missing feminisms and the case of men and masculinities. Journal of Marketing Management, United Kingdom, v. 31, n. 15 16, p. 1626 1651, 2015. Disponível em: https://doi.org/10.1080/0267257X.2015.1068835. Acesso em: 23 nov. 2025.

HIETANEN, J.; MURRAY, J. B.; SIHVONEN, A.; TIKKANEN, H. Seduced by “fakes”: producing the excessive interplay of authentic/counterfeit from a Bbudrillardian perspective. Marketing Theory, [London], v. 20, n. 1, p. 23–43, 2020. Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/1470593119870214. Acesso em: 23 nov. 2025.

HOLVINO, Evangelina. Intersections: the simultaneity of race, gender and class in organization studies. Gender, Work & Organization, United Kingdom, v. 17, n. 3, p. 248–277, 2010. Disponível em: http://doi.wiley.com/10.1111/j.1468-0432.2008.00400.x. Acesso em: 25 nov. 2025.

HOOKS, bell. Talking back: thinking feminist, thinking black. 2. ed. New York: Routledge, 2014.

KOFFMAN, Ofra; ORGAD, Shani; GILL, Rosalind. Girl power and “selfie humanitarianism”. Continuum, Austrália, v. 29, n. 2, p. 157–168, 2015. Disponível em: https://doi.org/10.1080/10304312.2015.1022948. Acesso em: 25 nov. 2025.

LAMBERT, A. Psychotic, acritical and precarious? A Lacanian exploration of the neoliberal consumer subject. Marketing Theory, [London], v. 19, n. 3, p. 329 346, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1177/1470593118796704. Acesso em: 23 nov. 2025.

LERNER, G. A criação do patriarcado: história da opressão das mulheres pelos homens. São Paulo: Editora Cultrix, 2020.

LORDE, Audre. Idade, raça, classe e gênero: mulheres redefinindo a diferença. In: HOLLANDA, H. B. (org.). Pensamento feminista: conceitos fundamentais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019. p. 238 249.

MACLARAN, P. Feminism’s fourth wave: a research agenda for marketing and consumer research. Journal of Marketing Management, United Kingdom, v. 31, n. 15–16, p. 1732–1738, 2015.

MACLARAN, Pauline et al. Praxis or performance: does critical marketing have a gender blind-spot?. Journal of Marketing Management, United Kingdom, v. 25, n. 7–8, p. 713–728, 2009. Disponível em: https://doi.org/10.1362/026725709X471587. Acesso em: 25 nov. 2025.

MACLARAN, P.; KRAVETS, O. Feminist perspectives in marketing: past, present, and future. In: TADAJEWSKI, M.; BROWNLI, S.; VAREY, R. J.; SHEPHERD, D. (org.). The Routledge Companion to Critical Marketing. London: Routledge, 2018. p. 64 82.

MAISON, D. Qualitative marketing research: understanding consumer behaviour. London: Routledge, 2018.

MATHIEU, Nicole-Claude. Sexo e gênero. In: HIRATA, HELENA et al. (org.). Dicionário crítico do feminismo. São Paulo, SP: Editora da Unesp, 2009. p. 222–230.

MURRAY, J. B.; OZANNE, J. L. The critical imagination: emancipatory interests in consumer research. Journal of Consumer Research, Chicago, v. 18, n. 2, p. 129 144, 1991. Disponível em: https://doi.org/10.1086/209247. Acesso em: 23 nov. 2025.

OKSALA, J. Feminism, capitalism, and ecology. Hypatia, [S. l.], 33, n. 2, p. 216–234, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1111/hypa.12395. Acesso em: 23 nov. 2025.

PARSONS, E., MACLARAN, P.; CHATZIDAKIS, A. Contemporary issues in marketing and consumer behaviour. Oxford, UK: Routledge, 2017.

PELÚCIO, L. Marcadores sociais da diferença nas experiências travestis de enfrentamento à aids. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 20, n. 1, p. 76–85, 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sausoc/a/7DLHvcVH93dQpHGkMKbykhC/?format=html&lang=pt. Acesso em: 23 nov. 2025.

PERROT, M. Minha história das mulheres. São Paulo, SP: Editora Contexto, 2007.

RUIZ CASTRO, M.,; HOLVINO, E. Applying intersectionality in organizations: Inequality markers, cultural scripts and advancement practices in a professional service firm. Gender, Work & Organization, United Kingdom, v. 23, n. 3, p. 328–347, 2016. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/gwao.12129. Acesso em: 23 nov. 2025.

SAREN, M. Marketing is everything: the view from the street. Marketing Intelligence & Planning, United Kingdom, v. 25, n. 1, p. 11-16, 2007. Disponível em: https://doi.org/10.1108/02634500710722362. Acesso em: 23 nov. 2025.

SCALZO, M. Jornalismo de revista. São Paulo: Contexto, 2004.

STEWART, David W.; SHAMDASANI, Prem. Online focus groups. Journal of Advertising, [S. l.], v. 46, n. 1, p. 48-60, 2017. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/26157260. Acesso em: 25 nov. 2025.

TADAJEWSKI, Mark. History and critical marketing studies. Journal of Historical Research in Marketing, [S. l.], v. 4, n. 3, p. 440–452, 2012. Disponível em: https://doi.org/10.1108/17557501211252970. Acessoe m: 25 nov. 2025.

TADAJEWSKI, M. Towards a history of critical marketing studies. Journal of Marketing Management, United Kingdom, v. 26, n. 9 10, p. 773 824, 2010. Disponível em: https://doi.org/10.1080/02672571003668954. Acesso em: 23 nov. 2025.

VALENTINE, G. Theorizing and researching intersectionality: a challenge for feminist geography. The Professional Geographer, [S. l.], v. 59, n. 1, p. 10 21, 2007. Disponível em: https://doi.org/10.1111/j.1467-9272.2007.00587.x. Acesso em: 23 nov. 2025.

WINKER, G.; DEGELE, N. Intersectionality as multi-level analysis: dealing with social inequality. European Journal of Women’s Studies, United Kingdom, v. 18, n. 1, p. 51 66, 2011. Disponível em: https://doi.org/10.1177/1350506810386084. Acesso em: 23 nov. 2025.

YUVAL-DAVIS, N. Intersectionality and feminist politics. European Journal of Women’s Studies, United Kingdom, v. 13, n. 3, p. 193 209, 2006. Disponível em: https://doi.org/10.1177/1350506806065752. Acesso em: 23 nov. 2025.

Downloads

Publicado

2025-12-10

Artigos Semelhantes

1 2 3 4 5 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.