Entre o eu e o nós:

A escrevivência como possibilidade e fabulação no cinema

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.2763-9398.2026v25n.76641

Palavras-chave:

Escrevivência, Cinema Negro, Resistência, Raça, LGBTQIAPN+

Resumo

Neste artigo, analisamos, em perspectiva teórica e metodológica, a noção de escrevivência, formulada por Conceição Evaristo, como estratégia política de resistência que permite às populações negras assumirem o controle de suas narrativas. O objeto de análise é o documentário Além de PRETO, VIADO (2017), que aborda experiências de homens negros e gays para refletir sobre opressões individuais e coletivas. Defendemos que a escrevivência reconfigura epistemologias coloniais ao valorizar vozes historicamente subalternizadas, especialmente de mulheres negras, mas também aplicável a outras interseccionalidades. Essa noção articula passado e presente, promovendo reflexão sobre experiências vividas e abrindo possibilidades de construção coletiva de futuros. Concluímos que, ao integrar memória, agência e dimensão coletiva das vivências negras e LGBTQIAPN+, a escrevivência se consolida, no cinema negro, como ferramenta de resistência, criação e transformação social e estética.

 

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Biografia do Autor

Lucas Porfírio, UFMG

Doutorando em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Minas Gerais (PPGCOM/UFMG), com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Mestre em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Ouro Preto (PPGCOM/UFOP), também com bolsa CAPES. Desenvolve pesquisas nas áreas de audiovisual, gênero, raça e sexualidade, sendo membro do grupo de pesquisa Laboratório de Análise de Audiovisualidades, Cultura e Temporalidades (ACTO). É jornalista graduado pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Durante a graduação, dirigiu o documentário "Além de Preto, Viado" (2017), exibido na 21 Mostra de Cinema de Tiradentes e em outros festivais. Também produziu e dirigiu o documentário "Viajantes Queers e a Potência dos Afetos", apresentado na XI Semana de Direitos Humanos, promovida pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais (SEDESE-MG). Atualmente, atua como produtor de jornalismo na TV UFOP.

Fernanda Mauricio da Silva, UFMG

Professora do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal de Minas Gerais e do Departamento de Comunicação Social da mesma instituição. Doutora (2010) e mestre (2005) em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia. Possui graduação em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (2003). Foi bolsista recém-doutor (segundo edital Nº 001/2010 - MEC/CAPES e MCT/CNPq/FINEP) no Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas (2011-2012), com projeto intitulado "História cultural de talk shows brasileiros", financiado pelo CNPq. Realizou estágio doutoral na Université Sorbonne Nouvelle - Paris III, sob orientação do professor Dr. François Jost. Coordena o grupo de pesquisa ACTO - Laboratório de Análise de Audiovisualidades, Cultura e Temporalidades, certificado pelo CNPq. Faz parte da rede de pesquisa Historicidades dos Processos Comunicacionais. Tem interesse principalmente nos seguintes temas: estudos culturais; gêneros televisivos e midiáticos; historicidade de produtos e processos da comunicação; questões raciais e cinema de animação.

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Publicado

2026-04-02