Pornografia e literatura: uma história pelo buraco da fechadura

  • Natanael Duarte AZEVEDO UFRPE
  • José Temístocles FERREIRA JÚNIOR UFRPE
Palavras-chave: Pornografia, Jornal O Rio Nu, Política, História da literatura

Resumo

A presença da pornografia na literatura passa a ser considerada como categoria a partir do século XIX através de suas qualidades formais, que criam possibilidades de análise que abrangem a intencionalidade da inserção do texto pornográfico e/ou a sua funcionalidade nos gêneros literários. O objetivo de nossa pesquisa é compreender o discurso pornográfico nos jornais da Belle époque brasileira e a sua relação com a história da literatura por meio da pornografia e da política. Nosso corpus é formado por colunas que tratavam de questões pornográficas no jornal O Rio Nu (1898-1916), além de outros impressos que mantiveram um diálogo direto com o jornal, a saber: O Riso (1911-1912), O Coió (1901-1902) e O Nabo (1900). Os resultados de nossa análise mostram que, através dos instrumentos da sátira e os diferentes modos de apropriação da pornografia, é possível perceber que a esta estava a serviço da crítica política, além do seu caráter inerente que é a excitação do leitor.

Referências

ALEXANDRIAN, (Sarane). História da literatura erótica. ed 2. Trad. Ana Maria Scherer e José Laurênio de Mello. Rio de Janeiro: Rocco, 1993.

ALMEIDA, Horácio de. Dicionário de termos eróticos e afins. 2ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981.

ANDRADE, Adriano Guerra. Dicionário de pseudônimos e iniciais de escritores portugueses. Lisboa: Biblioteca Nacional, 2000.

ANÔNIMO. Teresa Filósofa. Trad. De Maria Carlota Carvalho Gomes. Porto Alegre: L&PM, 2000 (Coleção Pocket L&PM).

ARETINO, Pietro. Sonetos luxuriosos. Tradução, nota biográfica, ensaio crítico e notas de José Paulo Paes. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

AZEVEDO, Natanael Duarte de; FERREIRA JÚNIOR, José Temístocles. Linguística, psicanálise e cinema: a voz que interpela no simbólico. In: FERREIRA JÚNIOR, José Temístocles; NÓBREGA, Mônica; FLORES, Valdir (Orgs.). Revista Prolíngua. vol. 11, n. 2. João Pessoa: Editora da UFPB, 2016.

BARBOSA, Socorro de Fátima Pacífico. Literatura e periódicos no século XIX: perspectivas históricas e teóricas. Porto Alegre: Nova Prova, 2007.

BUENO, Alexei. Antologia pornográfica: de Gregório de Matos a Glauco Mattoso. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2004.

CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano. Artes de fazer. ed 19. Trad. Ephraim Ferreira Alves. Petrópolis: Vozes, 2012.

CHARTIER, Roger. Práticas da Leitura. Trad. Cristiane Nascimento. 5 ed. São Paulo: Estação Liberdade, 2011.

CORBIN, Alain et al (orgs.). História do corpo: 2. Da Revolução à Grande Guerra. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

CORRÊA, Carlos Pinto. Perversão: trajetória de um conceito. In.: Estudos de Psicanálise. Rio de Janeiro. Nº 29, p. 83-88. Setembro, 2006.

DABHOIWALA, Faramerz. As origens do sexo: uma história da primeira revolução sexual. Trad. Rafael Mantovani. São Paulo: Globo, 2013. (Biblioteca Azul)

DEL PRIORI, Mary. Histórias íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2011.

DELUMEAU, Jean. O pecado e o medo: a culpabilização no ocidente (séculos 13-18). Vol. 1. Trad. de Álvaro Lorencini. Bauru, SP: EDUSC, 2003.

EL FAR, Alessandra. Páginas de Sensação: Literatura popular e pornográfica no Rio de Janeiro (1870-1924). São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

______. “Crítica social e idéias médicas nos excessos do desejo: uma análise dos “romances para homens” de finais do século XIX e início do XX”. In: Cadernos Pagu, n. 28, jan-jun, 2007, pp. 285-312.

FACCHINETTI, Cristiana et al. “As insanas do Hospício Nacional de Alienados (1900- 1939)”. In: História, Ciências, Saúde – Manguinhos. Rio de Janeiro, v.15, suplemento, PP. 231-242, 2008.

FOUCAULT, M. A Ordem do Discurso. São Paulo: Loyola, 1996.

FREUD, Sigmund. Três ensaios sobre a sexualidade. In.: Obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Vol. VII. 2 ed. Rio de Janeiro: Imago, [1905]1989.

GOULEMOT, Jean-Marie. Esses livros que se lêem com uma só mão. Trad. Maria Aparecida Corrêa. São Paulo: Discurso Editorial, 2000.

HODGART, Matthew John Caldwell. Satire: origins and principles. New Brunswick (U.S.A.) and London (U.K.): Transaction Publishers, 2010.

HUNT, Lynn. A Invenção da Pornografia: Obscenidade e as Origens da Modernidade. ed 1. São Paulo: Hedra, 1999.

MCCLINTOCK, Anne. Couro imperial: raça, gênero e sexualidade no embate colonial. Tradução de Plinio Dentzien. Campinas (SP): Editora da Unicamp, 2010.

MACKENZIE, D. F. “Bibliography and the sociology of texts”. In: Bibliography and the sociology of texts. Cambridge: Cambridge University Press, 2004.

MAINGUENEAU, Dominique. O Discurso Pornográfico. Trad. Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola Editorial (Série Lingua[gem], n. 42), 2010.

MIRANDA, Ana. Que seja em segredo: escritos da devassidão nos conventos brasileiros e portugueses dos séculos XVII e XVIII. Porto Alegre, RS: L&PM, 2014 (Coleção L&PM

POCKET).

MONIZ, Fábio Frohwein de Salles. Laurindo Rabelo: cadeira 26, patrono 2 ed. Rio de Janeiro: Imprensa Oficial de São Paulo, 2012. (Série Essencial, n. 9, Academia Brasileira de Letras).

MORAES, Eliane Robert. Perversos, amantes e outros trágicos. São Paulo: Iluminuras, 2013.

RABELAIS. A história de cada uma: os serões do convento. s/d [indícios de 1882].

REBELLO, Laurindo José da Silva. Obras poéticas livres. Rio de Janeiro, 1882.

ROUDINESCO, Elizabeth. A parte obscura de nós mesmos. Trad. André Telles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008.

ROUSSEAU. Jean-Jacques. As confissões. Trad. Wilson Lousada. São Paulo: Martin Claret, 2011.

SCHETTINI, Cristiana. “O que não se vê: corpos femininos nas páginas de um jornal malicioso”. In: DEL PRIORI, Mary & AMANTINO, Márcia (orgs.). História do corpo no Brasil. São Paulo: Editora UNESP, 2011.

SODRÉ, Nelson Werneck. História da imprensa no Brasil. São Paulo: INTERCOM; Porto Alegre: EDIPUCRS, 2011.

VAINFAS, Ronaldo. Trópico dos pecados: moral, sexualidade e inquisição no Brasil. ed 2. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2014.

ZILBERMAN, Regina. “Literatura de rodapé (ou) o jornal como suporte literário”. In:

IDÉIAS, JORNAL DO BRASIL, 8 de novembro de 2003. Disponível em <http://www2.metodista.br/unesco/hp_unesco_redealcar36completo.htm>. Acessado em 26/05/2014.

Fontes periódicas

Coió (O). Rio de Janeiro. 1901-1902.

Rio Nu (O). Rio de Janeiro. 1898-1916.

Riso (O). Rio de Janeiro. 1911-1912.

Publicado
2017-12-26
Como Citar
AZEVEDO, N. D.; FERREIRA JÚNIOR, J. T. Pornografia e literatura: uma história pelo buraco da fechadura. Revista Graphos, v. 19, n. 2, p. 140-164, 26 dez. 2017.
Seção
Artigos do Dossiê