Gilka Machado, poeta moderna

Autores

  • Anélia Montechiari Pietrani Universidade Federal do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.1516-1536.2019v21n2.48382

Palavras-chave:

Gilka Machado, Poesia moderna brasileira, Crítica literária feminista, Consciência poética

Resumo

Tomando por relevo as relações político-textuais e político-contextuais dos estudos literários, este artigo tem por objetivo interpretar poemas de Gilka Machado (1893-1980), cuja produção teve início naquele momento nomeado por alguns críticos historiográficos como pré-modernismo, um período de transição que reúne tendências conservadoras e renovadoras no início do século XX brasileiro. A poesia de Gilka Machado estabelece diálogos com essas tendências literárias, mas constrói uma voz poética muito própria, marcada por intensa carga de erotização e por reflexões sobre o papel social e cultural das mulheres – temáticas já amplamente estudadas pela fortuna crítica da autora, que podem ser bastante enriquecidas quando conjugadas à abordagem sobre a consciência poética que ela expressa em sua poesia. Exemplo significativo dessa comunhão de aspectos se encontra no poema “Lépida e leve”, publicado em Meu glorioso pecado (1928), cuja leitura interpretativa dos traços imagéticos, estilísticos e vanguardistas aponta-o em direção à poesia moderna de Gilka Machado em seu “momento futurista”, no sentido estudado por Marjorie Perloff a partir do termo cunhado por Renato Poggioli.

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Biografia do Autor

Anélia Montechiari Pietrani, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Professora Associada de Literatura Brasileira na UFRJ e coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Estudos das Mulheres na Literatura (NIELM/UFRJ). Mestre em Literatura Brasileira (UFF) e Doutora em Literatura Comparada (UFF), suas publicações e organizações de livros incluem: O enigma mulher no universo masculino machadiano (EdUFF, 2000), Experiência do limite: Ana Cristina Cesar e Sylvia Plath entre escritos e vividos (EdUFF, 2009), Euclides da Cunha: presente e plural (EdUERJ, 2010), Euclides: mestre-escola (EdUERJ, 2015), Crônica Trovada da Cidade de Sam Sebastiam e Cantata da Cidade do Rio de Janeiro de Cecília Meireles (Global, 2019), além de artigos publicados em periódicos especializados.

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Publicado

2020-01-11