Corpos em (de)formação: o “monstruoso” nas Flores bellatinianas

  • Luciane Bernardi Souza Universidade Federal de Santa Catarina

Resumo

Com um estranho e peculiar desabrochar, Flores (2001) de Mario Bellatín, apresenta uma estética transgressora. As personagens presentes em algumas narrativas da obra violam os padrões da cultura e desestabilizam a natureza da “normalidade” biológica através de corpos anômalos, que na sua maioria se constituem a partir da ausência de membros gerada por equívocos da medicina ou herança genética. A partir dessa estética incomum, discutimos neste trabalho o conceito de monstruoso nas personagens bellatinianas, pensando o corpo na sua materialidade biológica, mas também enquanto elemento simbólico, em sua potência performática e em sua capacidade de mutação e devir. Para isto, orientamos nossa leitura a partir de algumas noções teóricas advindas de Michel Foucault, que apresenta o corpo como um espaço de produção e contestação, e José Gil e Luiz Nazário, ambos teóricos que pensam o caráter monstruoso do corpóreo.

Biografia do Autor

Luciane Bernardi Souza, Universidade Federal de Santa Catarina
Doutoranda em Literatura- UFSC

Referências

BELLATÍN, Mario. Flores. Tradução: Josely Vianna Baptista. Cosac Naify, 2001.

FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade 1: a vontade de saber. Tradução: Maria Thereza da Costa Albuquerque e J. A. Guilhon Albuquerque. 13. Ed. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1999.

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Publicado
2018-07-02
Como Citar
SOUZA, L. B. Corpos em (de)formação: o “monstruoso” nas Flores bellatinianas. Letras & Ideias, v. 2, n. 1, p. 55-66, 2 jul. 2018.
Seção
Artigos