Condicionantes e Justiça na estruturação de uma paisagem eólica na Bahia
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1678-2593.2025v24n57.76821Palavras-chave:
Práticas Espaciais, Aerogeradores, Análise Hierárquica de Processos, (In)justiças, EnergiaResumo
Na Bahia, a energia eólica consolidou-se como a segunda principal fonte da matriz elétrica brasileira. Contudo, a expansão dos parques eólicos tem provocado profundas transformações na paisagem, especialmente em áreas de relevo elevado da Caatinga, historicamente tratadas como “ociosas”. Este artigo analisa os condicionantes que orientam a escolha e a configuração da paisagem eólica na Bahia, articulando critérios técnicos, socioeconômicos, políticos e culturais à discussão sobre Justiça na Paisagem. A metodologia envolveu pesquisa documental sobre leilões de energia e aplicação de questionários a três empresas eólicas, resultando na identificação de 23 fatores agrupados em quatro condicionantes: físicos, socioeconômicos, de governança e culturais. Esses fatores foram avaliados pela Análise Hierárquica de Processos (AHP) e relacionados às dimensões de dominação e exclusão. Os resultados indicam que a escolha das áreas é guiada por múltiplos condicionantes: velocidade dos ventos, distância de áreas protegidas, proximidade de vias de acesso e regularização fundiária. Destacam-se ainda incentivos fiscais, facilidade de escoamento da energia e ausência de comunidades tradicionais e sítios arqueológicos. A discussão sobre Justiça na Paisagem evidencia que a produção da paisagem eólica, marcada por práticas espaciais seletivas, reproduz desigualdades e (in)justiças estruturais do modelo capitalista.
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