Difusão e Aprendizado de Políticas Públicas
a cooperação internacional do MARE com a Grã-Bretanha na Reforma Gerencial de 1995
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.2525-5584.2025v10n2.71253Palavras-chave:
cooperação internacional; gestão pública; reforma gerencial; políticas públicas; administração pública brasileira.Resumo
O artigo examina uma faceta das conexões internacionais da reforma gerencial brasileira de 1995, com foco na cooperação técnica estabelecida com a Grã-Bretanha, cuja experiência reformista influenciou significativamente o Brasil. Dessa maneira, o texto explora como essa influência externa foi processada e assimilada pelo Ministério da Administração e Reforma do Estado (MARE), entre 1995 e 1998, durante o primeiro governo FHC, destacando a inspiração inglesa da reforma brasileira. Fundamentalmente, discutiremos se essa experiência de intercâmbio internacional em matéria de reforma administrativa configurou, na prática, uma materialização empírica dos conceitos teóricos do campo da análise de políticas públicas, tais como "aprendizado de políticas públicas" e de “difusão de políticas públicas”. A metodologia do estudo é qualitativa e fundamenta-se na articulação entre uma revisão bibliográfica especializada — voltada à literatura de análise de políticas públicas e de reforma do Estado — e uma análise interpretativa de dados empíricos primários e secundários. Essa interlocução teórico-empírica privilegia entrevistas em profundidade com atores-chave do MARE, fontes primárias e secundárias empregadas no trabalho a fim de “dar voz aos atores” envolvidos no processo técnico-político assinalado. Embora a literatura brasileira sobre a reforma de 1995 seja extensa, são ainda escassos os estudos teórico-empíricos que investigam suas conexões com processos de cooperação técnica internacional e circulação transnacional de ideias administrativas. Em suma, o trabalho busca ampliar o campo de estudos sobre gestão pública e cooperação técnica internacional no Brasil, ao examinar de forma empírica e guiada por fundamentos teóricos as conexões entre a reforma gerencial de 1995 e experiências estrangeiras tidas como referências mundiais à época. Portanto, a análise permite compreender e visualizar como práticas, ideias e conceitos de gestão pública oriundas de outros contextos nacionais foram reinterpretadas e adaptadas à agenda administrativa brasileira da década de 1990, contribuindo assim para o entendimento mais refinado dos processos de formulação de políticas em ambientes de intercâmbio de experiências internacionais.
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