A IMPORTÂNCIA DA RELAÇÃO RELIGIOSIDADE E SAÚDE NAS PRÁTICAS DE CUIDADORES TRADICIONAIS QUILOMBOLAS

Resumo

Neste artigo são partilhadas descobertas advindas de diálogos com quilombolas: benzedeiras, curandeiros, parteiras e sacerdotes de religiões de matriz africana. Estes diálogos com cuidadores quilombolas aconteceram em quatro estados: Belém; Maranhão; Minas Gerais e Bahia, em sete quilombos, no Brasil. Estes diálogos ocorreram no âmbito do Projeto Protagonismo Quilombola na Luta por Saúde e Direitos Sociais, que teve como um de seus objetivos identificar práticas tradicionais de Cuidado, Promoção da Saúde e manifestações culturais. As práticas empreendidas por esses atores sociais mesclam-se muito mais profundamente com as suas convicções e práticas no campo da espiritualidade e religiosidade do que com a transmissão oral de conhecimentos por parte de seus ancestrais, diferentemente do esperado inicialmente. Uma outra conclusão foi a de que esses atores também são líderes comunitários considerados importantes por suas comunidades, e que também, a despeito das manifestações de intolerância religiosa dentro e fora dos quilombos, demonstram consciência da sua importância na luta pelos direitos quilombolas.

Biografia do Autor

Carla Moura Lima, Instituto Terraluz de Desenvolvimento Humano
Consultora em Gestão de Qualidade de Conteúdo, Comunicação Oral e Escrita. Consteladora Sistêmica Familiar e Organizacional. Criadora do Método “Inteligência Relacional Integral”. Diretora Geral e Editora-Chefe do Instituto Terraluz de Desenvolvimento Humano, especialista em Coaching de Desenvolvimento do Potencial Humano com Transformações de Alto Impacto. Doutora e Mestre em Ciências: Ensino em Biociências e Saúde (IOC/Fiocruz). Formadora em Coaching Evolutivo Relacional (CER). Professora de Pós graduação: Neurocoaching (Coaching e Gestão de Pessoa/Universidade Castelo Branco), Metodologias Inovadoras (Saúde Coletiva/Isecensa), Educação em Saúde (Ciência, Arte, Cultura e Saúde/Fiocruz), Metodologias de Pesquisa Participativa (Saúde Pública/Fiocruz).

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Publicado
2019-09-03
Seção
RELATOS DE EXPERIÊNCIA