FLORES E DORES: EMOÇÕES E A ÉTICA DA VIDA PARA UM ENSINO DE CIÊNCIAS E BIOLOGIA INTERCULTURAL E ANTIRRACISTA

Resumo

Ao olharmos os processos civilizatórios ocorridos na América Latina, em uma perspectiva autocrítica, poderemos constatar que formas outras de produção do conhecimento foram violentadas pelos colonizadores. A busca de uma razão intelectualista fez com que as afetividades fossem evitadas, ocasionando processos de violência epistêmica e racial que se estruturaram em diversas instituições produtoras de conhecimento. A instituição escolar, nesse sentido, (re)produz relações assimétricas de poder baseadas em representações enviesadas sobre os povos indígenas, por exemplo. Dessa forma, o Ensino de Ciências e Biologia, no pressuposto de um conhecimento neutro e imparcial que busca se distanciar das emoções, pode colaborar, em algumas situações, para relações racistas. Mas ao reconhecermos esse outro que se nos apresenta em sua diversidade e buscando uma educação intercultural, quais seriam as contribuições que os conhecimentos dos povos indígenas poderiam nos fornecer em relação às emoções para uma educação antirracista? Ao partir de uma perspectiva da descolonização, o presente trabalho busca refletir sobre possíveis contribuições para aspectos éticos que se relacionam às condições de possibilidade para que a vida floresça. 

Biografia do Autor

Nivaldo Aureliano Léo Neto, Universidade Estadual do Ceará
Pós-doutorado (PNPD/CAPES) em Educação e Contemporaneidade (UNEB); Doutor em Ciências Biológicas (UFPB); Mestre em Ciências Sociais (UFCG); Mestre em Ciências Biológicas (UFPB); Bacharel/Licenciado em Ciências Biológicas (UEPB). Professor temporário da UECE/Fortaleza.
Sueli Ribeiro Mota Souza, Universidade do Estado da Bahia
Pós-Doutorado na Università degli Studi di Firenze, Doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (2007). Professora efetiva da Universidade do Estado da Bahia (UNEB-Salvador), Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade (PPGEDUC).

Referências

ALVAREZ, Sonia E.; DAGNINO, Evelina; ESCOBAR, Arturo. O cultural e o político nos movimentos sociais latino-americano. In: ALVAREZ, Sonia E.; DAGNINO, Evelina, ESCOBAR, Arturo. (Org.). Cultura e política nos movimentos sociais latino-americanos: novas leituras. Belo Horizonte: EDUFMG, 2000.

AMARO, Ivan. Histórias e culturas indígenas presentes na escola: potencialidades do currículo para a desconstrução da colonialidade. In: RUSSO, Kelly; PALADINO, Mariana (Org.).Ciências, tecnologias, artes e povos indígenas no Brasil: subsídios e debates a partir da Lei n. 11.645/2008. Rio de Janeiro: Garamond, 2016. p. 103-130.

BESERRA, Bernadete de L.R., LAVERGNE, Rémi Ferdinand. Racismo e educação no Brasil [recurso eletrônico]. Recife: Ed. UFPE, 2018.

BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Referencial curricular nacional para as escolas indígenas. Brasília: MEC/SEF. 1998.

CANDAU, Vera Maria F. Educación intercultural crítica: construyendocaminos. In: WALSH, Catherine (Ed.). Pedagogias decoloniales: prácticas insurgentes de resistir, (re)existir y (re)vivir. EdicionesAbya-Yala, 2013. p. 69-103.

CARBALLEDA, Alfredo Juan Manuel. La negación de lo Otro como violencia. Pensamiento de colonial y cuestión social. In: HERMIDA, Maria Eugenia e MESCHINI, Paula (Orgs.). Trabajo social y Descolonialidad: epistemologias insurgentes para la intervención en lo social. Universidad Nacional de Mar del Plata, 2017. Pp.66-74.

DUSSEL, Enrique. Sentido ético de la rebelion Maya de 1994 en Chiapas (dos “juegos de lenguaje”). In: CORAGGIO, Jose Luis (org.). La economia social desde la periferia: contribuciones latinoamericanas. Buenos Aires: Altamira, 2007.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 54ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 2013.

GAGLIARDI, R. Como utilizar la Historia de las ciencias en la enseñanza de las ciencias. Enseñanza de las Ciencias, v. 6, n. 3, p. 291-296. 1988.

GOHN, Maria da Glória. Movimentos Sociais e Educação. Cortez Editora. 1992.

GOMES, Nilma Lino. O Movimento Negro educador: saberes construídos nas lutas por emancipação. Petrópolis: Vozes. 2017.

GUERRERO, Patricio. 2012. Corazonar desde el calor de las sabidurías insurgentes. Revista Sophia: Colección de Filosofía de la Educación, n. 13. Quito: Editorial Universitaria Abya-Yala.

KRASILCHIK, Myriam. Ensino de Ciências e a formação do cidadão. Em Aberto, v.7, n.40, 1988.

KRASILCHIK, Myriam. Caminhos do Ensino de Ciências no Brasil. Em Aberto, v.11, n. 55, 1992.

LÉO NETO, Nivaldo Aureliano. Dinâmica da caça e conflitos socioambientais no sertão da Serra Negra (PE). Tese (Doutorado em Ciências Biológicas – PPGCB/UFPB). João Pessoa. 2015

MARIN, Pilar Cuevas. Memoria colectiva: hacia un proyecto decolonial. In: WALSH, Catherine. (Ed.). Pedagogias decoloniales: prácticas insurgentes de resistir, (re)existir y (re)vivir. Ediciones Abya-Yala.pp.69-103. 2013.

MATURANA, Humberto. Emoções e linguagem na educação e na política. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998. 98 p.

MATURANA, Humberto.Cognição, ciência e vida cotidiana. 2. ed. Belo Horizonte: EDUFMG, 2014.

ORTEGA, Adriana Arroyo. Pedagogías decoloniales y la interculturalidad: perspectivas situadas. In: DI CAUDO, Maria Veronica; ERAZO, Daniel Llanos; OSPINA, Maria Camila (coords.). Interculturalidad y educación desde el sur: contextos, experiencias y voces. Quito: Editorial Universitaria Abya-Yala. Pp.47-67. 2016.

QUIJANO, Anibal. Colonialidade do poder, Eurocentrismo e América Latina. In: A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas.Buenos Aires: CLACSO, 2005.

SÁ, Alecksandra Ana Santos; SERRADELA, Larissa Isidoro; LÉO NETO, Nivaldo Aureliano. Tiririca dos Crioulos: um quilombo-indígena. Carnaubeira da Penha: Associação dos Remanescentes do Quilombo Tiririca, 2017. 2ed.

SÁNCHEZ, Marisol Patiño. Tejiendo conocimientos en los círculos senti-pensantes: hacia un Trabajo Social Decolonial y del Bien Vivir. In: HERMIDA, Maria Eugenia e MESCHINI, Paula (orgs.). Trabajo social y Descolonialidad: epistemologias insurgentes para la intervención en lo social. Universidad Nacional de Mar del Plata, 2017. Pp.77-100.

SCHWARCZ, Lilia Moritz. O Espetáculo das Raças – cientistas, instituições e questão racial no Brasil 1870-1930. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.

TODOROV, Tzvetan. Los abusos de la memoria. Ediciones Paidos Ibérica. 1995.

TUBINO, Fidel. Interculturalizado el multiculturalismo. Interculturael. Balance y perspectivas. Encuentro internacional sobre interculturalidad. 2001.

VASQUEZ, Grimaldo Rengifo. Modernización educativa, y los retos de la mediación cultural en los Andes del Perú. In: Una escuela amable con el saber local. Peru: Ministerio de Educación. 2003. p.11-31.

VERRANGIA, Douglas; SILVA, Petronilha Beatriz Gonçalves e. Cidadania, relações étnico-raciais e educação: desafios e potencialidades do ensino de Ciências. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 36, n.3, p. 705-718. 2010.

Publicado
2019-09-03
Seção
DOSSIÊ SOBRE EDUCAÇÃO INTERCULTURAL: EPISTEMOLOGIAS E NOVAS FERRAMENTAS