O libertino e os usos do passado antigo: ensaio sobre a relação de Hancarville com o passado Romano (1780)

  • Alexandre Cozer Universidade Federal do Paraná

Resumo

Pierre-François Hugues, ou Barão de Hancarville, foi um antiquarista dedicado ao estudo de cerâmicas cujo trabalho foi desenvolvido sobretudo na baía de Nápoles, no século XVIII, quando se começava a escavar Pompeia e Herculano. Embora esse autor tenha uma obra de relevância para os estudiosos de cerâmica da Antiguidade Clássica, Hancarville também foi autor de obras menos técnicas dedicadas ao estudo de monumentos falsos e dos hábitos sexuais mais curiosos dos antigos Romanos. Nesse artigo, intencionamos realizar um estudo sobre a maneira como o autointitulado Barão se apossava do passado Clássico, em obras falsas e de caráter libertino, para gerar uma reflexão que atingia também o seu presente. Para tanto, empreenderemos, primeiro, uma discussão sobre os estudos de Usos do Passado no Brasil e de que maneiras nos vale se aproximar dessa forma de pensar a Arqueologia e a História. Em um segundo momento, buscaremos pensar a maneira como se conforma o pensamento do estudioso sobre a Antiguidade e sobre a sexualidade. Intencionamos, com isso, mostrar que mesmo em se tratando de monumentos inventados, o antiquarista desenvolvia um pensamento fundamentado na leitura de documentação e na análise próxima à historiografia. Que seu pensamento tenha ficado de lado, ou que tenha influenciado unicamente teorias mais críticas sobre o passado, aponta para algumas das exclusões com as quais se formou a disciplina de História Antiga.

Publicado
2019-12-15
Como Citar
COZER, A. O libertino e os usos do passado antigo: ensaio sobre a relação de Hancarville com o passado Romano (1780). Sæculum – Revista de História, v. 24, n. 41, p. 82-98, 15 dez. 2019.