De passivas a heroínas, de órfãs a cangaceiras eróticas: um breve debate teórico sobre as mulheres sertanejas na pornochanchada

  • Caroline de Araújo Lima Universidade do Estado da Bahia

Resumo

As representações das cangaceiras no cinema nacional é o centro desse artigo. O objetivo do trabalho é a partir da teoria feminista do cinema problematizar a imagem feminina como objeto passivo para o olhar do sujeito masculino. Tal problematização e as contribuições da teoria feminista do cinema serão utilizados para a breve análise do filme As Cangaceiras Eróticas (1974), que na sua narrativa trouxe uma contraposição ao modelo hegemônico cinematográfico em relação a definição dos personagens masculinos como o ego ideal do espectador, a expressão da virilidade e das mulheres como as reguladoras das tensões, aquela que se apaixona pelo mocinho e torna-se propriedade do mesmo. O filme a ser analisado é uma pornochanchada: As Cangaceiras Eróticas. A obra é considerada uma comédia e um thriller de aventura, onde o enredo gira entorno do cotidiano de um bando de cangaceiros ambientados com alguns elementos da cultura nordestina. A história se passa no ambiente inóspito do sertão, no qual, um grupo de mulheres decidem entrar para o Cangaço motivadas por vingança e para não se tornarem escravas de “empresários ou de marido”. Estas personagens (a cangaceiras, os(as) sertanejos(as)) são o objeto de análise do trabalho. A breve discussão teórica que pautará a análise fílmica partiu dos questionamentos do movimento feminista a esse modelo de cinema, que produziu uma disputa entorno das relações de gênero nas produções cinematográficas. O artigo fará uma breve exposição do contexto histórico que tais questionamentos ganham destaque, pós maio de 1968, onde o ceticismo em relação as teorias totalizantes colocou a produção cinematográfica ao lado de questões alinhadas aos direitos sexuais e reprodutivos, de combate ao racismo e a defesa do amor livre.

Biografia do Autor

Caroline de Araújo Lima, Universidade do Estado da Bahia

Licenciada em História (UNIJORGE), Mestra em História Regional e Local (UNEB), Doutoranda em Ciências Sociais (UFBA). Professora Assistente do Departamento de Ciências Humanas e Tecnológicas (XVIII)

Publicado
2019-12-15
Como Citar
LIMA, C. DE A. De passivas a heroínas, de órfãs a cangaceiras eróticas: um breve debate teórico sobre as mulheres sertanejas na pornochanchada. Sæculum – Revista de História, v. 24, n. 41, p. 373-388, 15 dez. 2019.
Seção
Dossiê: Mulheres, gênero e sertanidades