Professores em tempos sombrios: objetivações da ética no Ensino de História

Autores

  • Felipe Dias de Oliveira Silva Universidade Estadual de Campinas
  • Diogo Henrique Vianna Universidade Estadual de Campinas
  • André Victor Cavalcanti Seal da Cunha Universidade do Estado do Rio Grande do Norte/ Universidade Estadual de Campinas

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.2317-6725.2021v26n45.60375

Palavras-chave:

Ética, Experiência docente, Ensino de História

Resumo

Buscamos neste ensaio debater acerca dos rumos de uma ética no Ensino de História. Objetivamos situar elementos da vida cotidiana e da prática docente como formas constitutivas de caminhos para uma ética no interior das salas de aula. Para tanto, apresentaremos o andamento do debate mencionado, estabelecendo uma interlocução com autores de referência. Seguiremos neste percurso com duas perspectivas sobre o tema: a ética como elemento norteador de nossa ação profissional, bem como a ética enquanto componente intrínseco ao saber histórico escolar, permeando toda a relação de ensino-aprendizagem da nossa disciplina. Traremos à baila também interlocuções com a docência na educação básica, intencionando-se lançar inteligibilidade acerca dos saberes experienciais, promovendo-se um diálogo entre teoria e empiria. Em nossas análises, encontramos resultados interessantes. Foi a partir destes problemas e das múltiplas crises vivenciadas em nosso país que se origina, na comunidade disciplinar de professores, professoras, pesquisadores e pesquisadoras do Ensino de História, o debate da ética. A partir das contribuições de colegas, observamos que tal ensino pode ser ético na medida em que concebemos o outro colocado no interior da sala de aula, e dos processos que chamamos de ensino-aprendizagem, como ser humano. O outro entra em cena, mas entra em cena em um determinado tempo e em um determinado espaço. Portanto, é momento de repensar os paradigmas orientadores das nossas funções. Estes poderiam possibilitar a formação de um olhar compassivo, empático diante das diferenças características de nossa condição humana. Precisamos de uma abordagem para o ensino de História que contemple não apenas a dimensão cognitiva, mas também a afetiva e a Ética. Defendemos assim um ensino de História comprometido com a ética nascida da riqueza que representa a experiência humana, essa corajosa aventura coletiva.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Felipe Dias de Oliveira Silva, Universidade Estadual de Campinas

Doutorando em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Mestre em Educação pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e Licenciado em História na mesma instituição. Atualmente, docente no estado de Minas Gerais. Desenvolve pesquisas que envolvem o cotidiano do trabalho educativo de professores de História; vinculado ao grupo CRONOS – História Ensinada, Memória e Saberes escolares (UFJF) e ao grupo MEMÓRIA (UNICAMP). 

Diogo Henrique Vianna, Universidade Estadual de Campinas

Doutorando e mestre em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), 2020. Especialista em História pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), 2014. Graduação em História pelo Centro Universitário da Fundação de Ensino Octávio Bastos (Unifeob), 2010. Atualmente é professor do Centro Universitário da Fundação de Ensino Octávio Bastos (Unifeob). Tem experiência na área de Educação com ênfase em Métodos e Técnicas de Ensino.

André Victor Cavalcanti Seal da Cunha, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte/ Universidade Estadual de Campinas

Foi vencedor do Segundo Prêmio Teses Sandra Jatahy Pesavento em História Cultural do GT Nacional de História Cultural da ANPUH. Possui graduação em História pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e mestrado em Educação pela mesma instituição. Em 2008 tornou-se docente na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Desde 2015, integra os quadros do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Sociais e Humanas da UERN, na condição de professor permanente. Em 2021, iniciou também o Doutoramento em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atualmente, coordena o núcleo local do Programa de Pós-Graduação Mestrado Profissional em Ensino de História (ProfHistória-UERN).

Referências

Fontes

KAMEL, Ali. O que ensinam às nossas crianças. O Globo. São Paulo, 18/09/2007. Disponível em: http://www.alikamel.com.br/artigos/que-ensinam-nossas-criancas.php. Acesso em 10 de jun. 2021.

SCHMIDT, Mario Furley. Nova História Crítica. Ensino Médio: volume único. São Paulo: Nova Geração, 2005.

PENNA, Fernando. Compromissos éticos da docência em História: a trajetória de um debate. YouTube: ABEH Assoc. Bras. Pesq. em Ensino de História. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=7vEBHERsGfI. Acesso em 30 jul. 2021.

PENNA, Fernando; ALBERTI, Verena; FERNANDES, Robson; SILVA, Mônica. Mesa redonda: por um código de ética de professores de História. YouTube: ABEH Assoc. Bras. Pesq. em Ensino de História. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=2NBhucvpHeE. Acesso em 30 jul. 2021.

SILVA, Mônica; COELHO, Mauro. A nossa resposta será um código de ética? YouTube: ABEH Assoc. Bras. Pesq. em Ensino de História. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=XDo1DP2aUfw. Acesso em 30 jul. 2021.

Referências

ARENDT, Hannah. A crise na educação. In: ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. São Paulo: Perspectiva, 1971, p. 221-247.

BAKHTIN, Mikhail. Estética da Criação Verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

DE BAETS, Antoon. A declaration of the responsibilities of present generations toward past generations. History and Theory, Theme Issue, n. 43, p.158-159, dec. 2004.

DE BAETS, Antoon. Responsible History. Oxford, Ny: Berghahn Books, 2008.

DE BAETS, Antoon. Uma teoria do abuso da História. Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 33, n. 65, p. 17-60, 2013.

ECO, Umberto. Cinco Escritos Morais. Rio de Janeiro: Editora Record, 1998.

FREIRE, Paulo. Educação como Prática da Liberdade. 23. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2005.

GEERTZ, Clifford. A Interpretação das Culturas. Rio de Janeiro: LTC, 2015.

GUIMARÃES, G. Teoria de gênero e ideologia de gênero: cenário de uma disputa nos 25 anos da IV Conferência Mundial das Mulheres. Tempo & Argumento, Florianópolis, v. 12, n. 29, e0107, jan./abr. 2020.

GUIMARÃES, G. (et al). Considerações acerca da segunda versão da Base Nacional Comum Curricular – História. ANPUH, Associação Nacional de História, jun. de 2016. Disponível em: https://anpuh.org.br/index.php/2015-01-20-00-01-55/noticias2/diversas/item/3574-nota-sobre-a-segunda-versao-da-bncc. Acesso em 03 nov. 2021.

HOOKS, Bell. Ensinando a Transgredir: Educação como Prática da Liberdade. São Paulo: Martins Fontes, 2019.

LEIRNER, Piero C. O Brasil no espectro de uma guerra híbrida: militares, operações psicológicas e política em uma perspectiva etnográfica. São Paulo: Alameda Casa Editorial, 2020.

LUKÁCS, György et al. Ontologia do ser social. São Paulo: Boitempo, 2012.

LUKÁCS, György; ESTÉTICA, I. La peculiaridad de lo estético. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1966.

NICOLAZZI, F. Brasil Paralelo: restaurando a pátria, resgatando a história. A independência entre memórias públicas e usos do passado. Seminário 3x22: Independência, memória e historiografia, 24-28 de maio de 2021. Disponível em https://www.academia.edu/49455769/NICOLAZZI_Fernando_Brasil_Paralelo_restaurando_a_pa_tria_resgatando_a_histo_ria_A_Independ%C3%AAncia_entre_mem%C3%B3rias_p%C3%BAblicas_e_usos_do_passado. Acesso em 03 nov. 2021.

NIETZSCHE, Friedrich. Da Utilidade e do Inconveniente da História para a Vida. São Paulo: Lafonte, 2018.

OLIVEIRA, Sandra R. F. de (org.). Escolas em quarentena: o vírus que nos levou para casa. Londrina, PR: Editora Madrepérola, 2020.

PENNA, Fernando; SALLES, Diogo da Costa. A dupla certidão de nascimento do Escola Sem Partido: analisando as referências intelectuais de uma retórica reacionária. In: MUNIZ, Altemar de Costa; LEAL, Tito Barros (orgs.). Arquivos, documentos e ensino de história: desafios contemporâneos. Fortaleza: EdUECE, 2017, p. 13-37.

PIERUCCI, Antônio Flávio. As bases da nova direita. Novos Estudos Cebrap, v. 19, p. 26-45, 1987.

Downloads

Publicado

2021-12-29

Como Citar

SILVA, F. D. de O. .; VIANNA, D. H. .; CUNHA, A. V. C. S. da . Professores em tempos sombrios: objetivações da ética no Ensino de História. Saeculum, [S. l.], v. 26, n. 45 (jul./dez.), p. 265–278, 2021. DOI: 10.22478/ufpb.2317-6725.2021v26n45.60375. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/60375. Acesso em: 18 jun. 2024.