Ensinar história em tempos de pós-verdade: o que está em jogo?

Autores

  • Damião de Lima Universidade Federal da Paraíba
  • Juliana Alves de Andrade Universidade Federal Rural de Pernambuco

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.2317-6725.2021v26n45.61677

Palavras-chave:

ensino de história, Pós-verdade, Conhecimento Histórico

Resumo

O presente artigo reúne um conjunto de reflexões sobre a perda do protagonismo da ciência, da docência, da universidade, da história, da escola, e como esse reposicionamento está ligado a um comportamento atrelado ao conceito de pós-verdade. O conhecimento histórico é abordado, sua natureza e o processo de socialização, ao mesmo tempo que é problematizado o declínio da ciência na sociedade atual e o impacto desse processo no nosso campo científico/laboral, chamando a atenção para como os(as) pesquisadores(as) discutem em seus trabalhos essas questões, buscando explicar os possíveis efeitos pedagógicos de um negacionismo do conhecimento histórico na forma como crianças, adolescentes, adultos e idosos aprendem. No intuito de refletir sobre os efeitos políticos dessa pós-verdade e os usos políticos do presente, passado e futuro nas salas de aula e nas redes sociais, este artigo abre e apresenta o dossiê “A escrita da história em disputa: os desafios do tempo presente para a prática da pesquisa e do ensino em História”, que discute as estratégias desenvolvidas no campo da história para enfrentar o avanço do revisionismo e da negação do status de ciência, o processo de incorporação de novos objetos e perspectivas nos livros e matérias didáticos de história, as estratégias de difusão do conhecimento histórico (dissertações, teses e monografias) e o papel das aulas de história na formação intelectual dos mais diferentes sujeitos, no contexto das fake news.

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Biografia do Autor

Damião de Lima, Universidade Federal da Paraíba

Graduado em Historia pela UFPB. Mestre em Economia pela UFPB e Doutor em História Econômica pela USP. Atualmente é Professor Associado da Universidade Federal da Paraíba. Atua na área de História e Educação, História Contemporânea e Ensino de História. Diretor da ANPUH estadual. Avaliador Institucional do INEP. Líder do Grupo de Pesquisa: A Condição Discente. Coordenador do Projeto PROLICEN. Coordenador do Subprojeto de História no Programa de Consolidação das Licenciaturas - PRODOCÊNCIA/UFPB. Coordenador do Grupo de Estudo e Pesquisa em Ensino de História. Membro do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas, Gestão e Avaliação da Educação Superior. Membro do Mestrado Profissional em Ensino de História (Profhistória)

Juliana Alves de Andrade, Universidade Federal Rural de Pernambuco

pós-Doutoranda em Educação pela Universidade de Passo Fundo (UPF), sub a supervisão da Professora Dra. Flávia Caimi. Doutora em História (UFPE). Professora da Licenciatura em História e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e da Rede PROFHISTÓRIA-UFPE. Coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em História, Educação e Culturas (NEPHECs), onde realiza pesquisas sobre: Avaliação da Aprendizagem em História e Pesquisa Prática da Prática de Ensino em História. 

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Publicado

2021-12-29

Como Citar

LIMA, D. de; ANDRADE, J. A. de. Ensinar história em tempos de pós-verdade: o que está em jogo?. Saeculum, [S. l.], v. 26, n. 45 (jul./dez.), p. 175–188, 2021. DOI: 10.22478/ufpb.2317-6725.2021v26n45.61677. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/61677. Acesso em: 18 jun. 2024.