Figura autoral e narrador performático:

uma leitura de A viagem do elefante

Autores

Palavras-chave:

figura autoral, narrador performático, A viagem do Elefante, José Saramago, literatura portuguesa

Resumo

O debate que tem como centro as questões em torno do autor e do narrador não é um fenômeno do século XXI, contudo pode se dizer que, nesse século, os ânimos se acirraram e a polêmica ganhou novo sentido, tanto para aqueles que se posicionavam a favor quanto para os contrários. Nesse artigo, pretendemos investigar o desenvolvimento da noção de autoria e com ela o perfil do narrador, a partir dos postulados de Michel Foucault (2009), Roland Barthes (2012), Mikhail Bakhtin (2010) e Sílvia Regina Pinto (2003), principalmente. Resguardadas as particularidades que cercam cada teoria, é possível perceber que há, ao menos, um ponto em comum, qual seja, o questionamento da unicidade do sujeito a partir da negação de uma voz única.  Tendo como corpus a obra A viagem do Elefante, do escritor português José Saramago, publicada em 2008, o presente artigo discute questões ligadas à autoria e ao narrador. Nela constata-se a presença de um narrador que assume múltiplos “avatares”, o que dificulta a sua categorização conforme os moldes tradicionais. Desta forma, tanto o autor-pessoa quanto o autor-criador se fazem presentes, assim também como um narrador que pode ser definido como performático, já que assume, ao longo da narrativa, várias performances, enquanto elemento híbrido do discurso narrativo

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Referências

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Publicado

14.08.2022

Edição

Seção

VOLUME FLUXO CONTÍNUO