A natureza da casa e os territórios existenciais em Tese sobre uma domesticação, de Camila Sosa Villada
DOI :
https://doi.org/10.22478/ufpb.1887-8214.2026v41n1.78792Mots-clés :
Literatura Argentina Contemporânea, Camila Sosa Villada, Ecofeminismo, Territorialidade, TranscorporalidadeRésumé
Este artigo analisa o romance Tese sobre uma domesticação (2024), da escritora argentina Camila Sosa Villada, inserindo-o no contexto da cena transliterária latino-americana. O objetivo é investigar como o texto articula as noções de “natureza da casa”, conceito alavancado por Greta Gaard, e “territórios existenciais”, sob a égide de Félix Guattari, no processo de resistência ou adaptação normativa da protagonista, uma atriz travesti de sucesso. No tecido teórico, a pesquisa conta ainda com as discussões de Marcos Aurélio Saquet, no que tange à territorialidade, e de Stacy Alaimo quanto à transcorporalidade. A metodologia consiste em uma abordagem qualitativa e bibliográfica, fundamentada no cruzamento interpretativo entre a narrativa e esses referenciais teóricos interdisciplinares. A análise organiza-se em três eixos: a casa da infância como território de opressão e trauma; o lar conjugal da vida adulta, explorado como espaço de adequação burguesa e “utopia familiar”; e o próprio corpo como casa definitiva, locus da agência ética e política. De acordo com nossa leitura crítica do romance, podemos inferir que, embora o espaço doméstico opere como mecanismo de domesticação e controle, a materialidade do corpo e a desterritorialização do desejo vivenciadas pela personagem, durante seu percurso narrativo, reafirmam a impossibilidade de uma submissão plena do sujeito frente às ecologias de poder, sintomas apresentados pelos elementos e recursos literários e problematizados por interpretações que, espera-se, com o texto, provoquem outras possibilidades de leituras mais amplas do objeto artístico em questão.

