Mulheres e território: perspectivas ecofeministas na literatura indígena canadense
Women and Territory: Ecofeminist Perspectives in Canadian Indigenous Literature
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1887-8214.2026v41n1.78811Palavras-chave:
Ecofeminismo, Ancestralidade, Corpo-território, (Re)existênciaResumo
Este artigo investiga a relação entre corpo-território, conhecimento ancestral e natureza na literatura indigena canadense de autoria feminina, a partir de uma perspectiva ecofeminista. Além disso, parte-se da compreensão de que o corpo, principalmente o corpo da mulher indigena, constitui-se como território de registro histórico, política e espiritual, sendo atravessado por discursos de colonialidade e resistência. Nesse sentido, considera-se que as violências impostas aos territórios originários operam de forma articulada à violência de gênero, evidenciando uma relação de interdependência entre corpo e terra. Metodologicamente, a pesquisa se configura como qualitativa e comparativa, analisando os contos “a long time ago”, de Jan Bourdeau Waboose, e “The role of a traditional Gitxsan artist”, de Doreen Jensen, presentes na antologia My home as I remember (2000). Além disso, busca-se analisar os contos à luz do ecofeminismo, mobilizando vozes como Vandana Shiva, Alicia Puleo, Graça Graúna, além de pensadores como Nêgo Bispo. Evidencia-se, portanto, que nas narrativas analisadas, os corpos das personagens femininas não se apresentam como entidades isoladas, mas como extensão viva do território, permeado de marcas da memória, da ancestralidade e da coletividade. Assim, a escrita literária atua como prática de (re)rexistência”, na medida em que possibilita a retomada de narrativas indígenas frente às estruturas coloniais, atuando como espaço político e simbólico de resistência.

