Reflexões sobre o disforme e o grotesco em “Bárbara”, conto de Murilo Rubião

Autores

  • Antonia Marly Moura Silva
  • Vilmária Chaves Nogueira Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.1516-1536.2021v23n1.57602

Palavras-chave:

Bárbara, Conto, Grotesco, Riso, Corpo

Resumo

O presente artigo tem como propósito realizar uma leitura do conto “Bárbara”, do escritor mineiro Murilo Rubião, destacando o motivo do grotesco expresso na imagem monstruosa do corpo da personagem central, bem como o riso como traço ligado ao grotesco e ao sentimento de angústia. Nesse sentido, nos embasamos em pensamentos de Bakhtin (1987), Hugo (2010), Kayser (2013), Connelly (2015) e Thomson (2019) principalmente em conceitos imbricados na abordagem analítica do conto. Na leitura pretendida, buscamos mostrar como a ficção muriliana se apropria de metáforas que potencializam o grotesco, especialmente no que se refere a representação do feminino. Desse modo, nosso interesse maior volta-se para aspectos ligados à construção da imagem da protagonista. Sob tal perspectiva, buscamos analisar as metáforas ligadas a construção do corpo da personagem e seus sentidos simbólicos dentro do constructo do enredo, mostrando, sobretudo como tais elementos culminam para a configuração do riso grotesco. Por fim, podemos dizer que “Bárbara” é um conto que nos permite refletir sobre problemáticas significativas do contexto atual como, por exemplo, a imagem do corpo grotesco na literatura, o riso de horror, o disforme e a ironia sobre o padrão social de corpo imposto a mulher, assim como sua posição nas esferas particular e pública.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Antonia Marly Moura Silva

Doutora em Letras pela Universidade de São Paulo (USP); Docente do Departamento de Letras Vernáculas, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Letras/UERN. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2939-0626

Vilmária Chaves Nogueira, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

Doutoranda em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL), da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9807-4846

Referências

BAKHTIN, Mikhail Mikhailovich. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. Tradução de Yara Frateschi Vieira. São Paulo: Editora da Universidade de Brasília, 1987.

BRETON, David Le. A sociologia do corpo. 6. ed. Petrópolis-RJ: Editora Vozes, 2020.

CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain. Dicionários de símbolos: mitos, costumes, gestos, figuras, formas, figuras, cores, números. Tradução de Vera da Costa e Silva, et. al. 24. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009.

COHEN, Jeffrey Jerome. A cultura dos monstros: sete teses. JAMES, Donald. et al (Orgs). Pedagogia dos monstros: os prazeres e os perigos da confusão de fronteiras. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

CONNELLY, Frances S. Lo grotesco en el arte y la cultura occidentales: La imagen en juego. Madrid: Antonio Machado Libros, 2015.

HUGO, Victor. Do grotesco e do sublime: tradução do prefácio de Cromwell. Tradução e notas de Célia Berrettini. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 2010.

KAYSER, Wolfgang Johannes. O grotesco: configuração na pintura e na literatura. Tradução de J. Guinsburg. São Paulo: Perspectiva, 2013.

RUBIÃO, Murilo. Bárbara. In: RUBIÃO, Murilo. O pirotécnico Zacarias. 11. ed. São Paulo: Editora Ática, 1986.

RUSSO, Mary. O grotesco feminino: risco, excesso e modernidade. Rio de Janeiro: Rocco, 2000.

THOMSON, Philip. Lo grotesco. Apresentação e tradução de Rodolfo Palma Rojo. México: Fomento Editorial, 2019.

VIGARELLO, Georges. As metamorfoses do gordo: história da obesidade no Ocidente: da Idade Média ao século XX. Tradução de Marcus Penchel. Petrópolis/RJ: Vozes, 2012.

Downloads

Publicado

2021-06-03

Edição

Seção

DOSSIÊ: O FANTÁSTICO E A (DE)FORMAÇÃO DO RISO