ENTRE A EURECA E O PEER-REVIEW:
UMA DISCUSSÃO SOBRE O CONTEXTO DE DESCOBERTA E A OBJETIVIDADE EM POPPER E KUHN
DOI:
https://doi.org/10.7443/problemata.v16i4.77488Palavras-chave:
Descoberta científica, falsificacionismo, Dedutivismo, Paradigma Pós-Religional, objetividade e relativismoResumo
Partindo da anedota sobre Edison e a suposta “descoberta” da lâmpada, o texto problematiza a visão de que descobertas científicas resultam de momentos de “eureca!”, argumentando que tais episódios só se tornam inteligíveis à luz de tradições teóricas e práticas previamente constituídas. Essa problematização orienta a análise da distinção entre contexto de descoberta e contexto de justificação em Karl Popper e Thomas Kuhn, bem como suas implicações para a objetividade científica e para uma compreensão sociológica da ciência. No caso popperiano, destaca-se que a lógica da pesquisa se concentra exclusivamente no contexto de justificação, relegando a descoberta ao âmbito psicológico e não-lógico. Embora Popper conceba a Ciência como empreendimento orientado por conjecturas, refutações e verossimilhança, essa abordagem negligencia o papel das teorias pré-existentes na formulação de novas hipóteses e a raridade de revoluções radicais na prática científica real. Em contraste, Kuhn ressalta a centralidade dos aspectos históricos, comunitários e perceptuais, recolocando o problema da objetividade e tensionando o modelo popperiano. Embora frequentemente associado ao relativismo, Kuhn propõe critérios não arbitrários de escolha teórica e uma concepção de ciência que, embora socialmente situada, mantém a noção de progresso. Concluo sugerindo que abordagens contemporâneas, como a de Helen Longino, permitem compreender a objetividade como produto das práticas sociais da comunidade científica, evitando tanto o psicologismo popperiano quanto o relativismo atribuído a Kuhn.
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Referências
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