ENTRE A EURECA E O PEER-REVIEW:

UMA DISCUSSÃO SOBRE O CONTEXTO DE DESCOBERTA E A OBJETIVIDADE EM POPPER E KUHN

Autores

  • Karina Cursino Universidade Estadual do Piauí

DOI:

https://doi.org/10.7443/problemata.v16i4.77488

Palavras-chave:

Descoberta científica, falsificacionismo, Dedutivismo, Paradigma Pós-Religional, objetividade e relativismo

Resumo

Partindo da anedota sobre Edison e a suposta “descoberta” da lâmpada, o texto problematiza a visão de que descobertas científicas resultam de momentos de “eureca!”, argumentando que tais episódios só se tornam inteligíveis à luz de tradições teóricas e práticas previamente constituídas. Essa problematização orienta a análise da distinção entre contexto de descoberta e contexto de justificação em Karl Popper e Thomas Kuhn, bem como suas implicações para a objetividade científica e para uma compreensão sociológica da ciência. No caso popperiano, destaca-se que a lógica da pesquisa se concentra exclusivamente no contexto de justificação, relegando a descoberta ao âmbito psicológico e não-lógico. Embora Popper conceba a Ciência como empreendimento orientado por conjecturas, refutações e verossimilhança, essa abordagem negligencia o papel das teorias pré-existentes na formulação de novas hipóteses e a raridade de revoluções radicais na prática científica real. Em contraste, Kuhn ressalta a centralidade dos aspectos históricos, comunitários e perceptuais, recolocando o problema da objetividade e tensionando o modelo popperiano. Embora frequentemente associado ao relativismo, Kuhn propõe critérios não arbitrários de escolha teórica e uma concepção de ciência que, embora socialmente situada, mantém a noção de progresso. Concluo sugerindo que abordagens contemporâneas, como a de Helen Longino, permitem compreender a objetividade como produto das práticas sociais da comunidade científica, evitando tanto o psicologismo popperiano quanto o relativismo atribuído a Kuhn.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Karina Cursino, Universidade Estadual do Piauí

Professora da Universidade Estadual do Piauí (Uespi, campus Parnaíba). Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (2005), mestrado em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2008) e doutorado em Sociologia pela mesma instituição (2024).Tem experiência na área de Sociologia, atuando principalmente nos seguintes temas: teoria sociológica, sociologia do conhecimento, cultura científica; tecnologia; sociologia da religião; sociologia da literatura e análise de redes sociais.

Referências

CURD, Martin. The logic of discovery: an analysis of three approaches. In. NICKLES, Thomas (ed.). Scientific discovery, logic and rationality. Dordrecht: Springer, 1980.

HOYNINGEN-HUENE, Paul. Context of discovery and context of justification. Studies in History of Philosophy of Science, v. 18, n. 4, 1987.

KUHN, Thomas S. Objectivity, value judgment, and theory choice In. KUHN, Thomas S. The essential tension: selected studies in scientific tradition and change. Chicago: University of Chicago Press, 1977.

KUHN, Thomas S. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 2009.

LONGINO, Helen. Science as a social knowledge: values and objectivity in scientific inquiry. Princeton: Princeton University Press, 1990.

POPPER, Karl; NOTTURNO, Mark (ed.). The myth of the framework: in defense of science and rationality. London: Routledge, 1994.

POPPER, Karl. A lógica da pesquisa científica. São Paulo: Cultrix, 1972.

SACKS, Oliver. Tio Tungstênio: memórias de uma infância química. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

SCHAFFER, Simon. Scientific Discoveries and the end of Natural Philosophy. Social Studies of Science, v. 16, n. 3. 1986.

Downloads

Publicado

31-12-2025

Edição

Seção

Artigos

Artigos Semelhantes

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.