PERTENCIMENTO E RESISTÊNCIA:

UMA LEITURA DE BACURAU À LUZ DE JACQUES RANCIÈRE

Autores

  • Edurciléa Alves PROF FILO UFCG
  • Luciano da Silva UFCG

DOI:

https://doi.org/10.7443/problemata.v17i2.80436

Palavras-chave:

partilha do sensível, desentendimento, subjetivação política, Bacurau, ensino de filosofia

Resumo

Este artigo analisa, à luz da teoria política de Jacques Rancière, especialmente dos conceitos de O desentendimento: política e filosofia (1996), como o filme Bacurau (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, articula esteticamente as noções de pertencimento comunitário e resistência enquanto ato político. Argumenta-se que o filme configura uma partilha do sensível dissensual, rompendo com a lógica policial imposta pelos invasores: nela, cada corpo tem lugar, voz e função, e o pertencimento é reafirmado pela memória, pelo luto coletivo e pela cultura popular. A resistência da comunidade constitui um ato de subjetivação política, um desentendimento que transforma o phôné em logos, reconfigurando a cena sensível. A análise privilegia três cenas-chave: o museu comunitário, a assembleia na casa de Plínio e a emboscada final. Por fim, articula-se essa leitura com o ensino de Filosofia na Educação Básica, propondo o filme como dispositivo pedagógico. Conclui-se que Bacurau não apenas ilustra a teoria rancieriana, mas a encena como dispositivo estético-político de resistência.

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Biografia do Autor

Edurciléa Alves, PROF FILO UFCG

Mestranda em Filosofia (PROF-FILO/UFCG). Professora da rede pública estadual de Pernambuco.

Luciano da Silva, UFCG

Doutorado em Filosofia (UFPB-UFRN-UFPE). Professor de filosofia na UFCG.

Referências

BACURAU. Direção: Kleber Mendonça Filho; Juliano Dornelles. Produção: CinemaScópio Produções; Globo Filmes; SBS Produções. Brasil/França: Videofilmes; Videocamp, 2019. 1 filme (131 min), son., color.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.

RANCIÈRE, Jacques. O desentendimento: política e filosofia. Tradução de Ângela Leite Lopes. São Paulo: Editora 34, 1996.

RANCIÈRE, Jacques. A partilha do sensível: estética e política. Tradução de Mônica Costa Netto. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 2009.

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Publicado

31-08-2026

Como Citar

Alves, E., & Silva, L. da. (2026). PERTENCIMENTO E RESISTÊNCIA: : UMA LEITURA DE BACURAU À LUZ DE JACQUES RANCIÈRE. Problemata - Revista Internacional De Filosofia, 17(2), 182–190. https://doi.org/10.7443/problemata.v17i2.80436

Edição

Seção

ENSINO DE FILOSOFIA A PARTIR DE OUTRAS LINGUAGENS

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