A ESCOLA E SEUS ACERVOS BIBLIOGRÁFICOS: APONTAMENTOS ANTROPOLÓGICOS

Resumo

O presente artigo discute o tema da diversidade cultural e sua relação com os acervos das bibliotecas escolares desde um ponto de vista antropológico. A busca de compreensão deste fenômeno se baseou na análise das imagens e discursos que os livros didáticos reproduzem sobre os povos indígenas. O livro didático constitui um dos instrumentos mais utilizados pelos/as professores/as no processo de ensino e aprendizagem, sendo, por isso, crucial na formação do imaginário coletivo e na criação de certas ideologias, valores e crenças. Assim, em um primeiro momento, serão abordados alguns aspectos relativos ao ato de representar através da escrita, o qual constituiu um dispositivo de poder do ocidente, determinante na relação estabelecida com os povos originários. Posteriormente será desenvolvida uma discussão que oferece elementos teórico-metodológicos para estudar esse fenômeno, destacando a utilidade desse tipo de estudos dentro do marco legislativo proposto pela Lei 11.645 de 2008, que institui a obrigatoriedade do ensino da história e cultura indígena nas escolas brasileiras.

Biografia do Autor

Daniel Guillermo Gordillo Sánchez, Secretaria de Educação do Estado da Paraíba
Graduado em Biblioteconomia pela Pontificia Universidade Javeriana (Bogotá, Colombia). Graduado em Antropologia pela Universidade Federal da Integração Latino-americana (PR, Brasil). Mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal de Florianópolis (SC, BR). Professor do Estado da Paraíba.
Angela Maria Erazo Munoz, Universidade Federal da Paraíba
Doutora em Sciences du Langage, Spécialité Didactique et Linguistique pela Université de Grenoble, França. É professora adjunta na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) no Departamento de Departamento de Mediações Interculturais - DMI. 

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Publicado
2019-09-03
Seção
DOSSIÊ SOBRE EDUCAÇÃO INTERCULTURAL: EPISTEMOLOGIAS E NOVAS FERRAMENTAS