SUBJETIVIDADES DESESTABILIZADORAS E PEDAGOGIAS DE RESISTÊNCIA:
DOCENTES NEGRAS NA PÓS-GRADUAÇÃO BRASILEIRA
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.3086-3562.2025.n1.75570Palavras-chave:
Docentes negras, Ações afirmativas, Pós-graduação, Branquitude, Pedagogia de resistênciaResumo
O artigo analisa as trajetórias e experiências de professoras negras na pós-graduação brasileira, com foco nas regiões Sul e Nordeste do país, a partir de uma perspectiva interseccional que considera os marcadores de raça, gênero e classe. Fundamentado na tese de que a presença dessas docentes opera como imagens desestabilizadoras frente ao pacto narcísico da branquitude (BENTO, 2002), o estudo revela como produzem pedagogias de e em resistência e epistemologias insurgentes no Ensino Superior brasileiro. Utiliza metodologia híbrida, com análise documental de políticas institucionais e entrevistas compreensivas realizadas entre 2023 e 2024. As docentes, oriundas de instituições nos estados do Rio Grande do Sul e Sergipe, narram suas práticas pedagógicas, desafios institucionais e estratégias de enfrentamento ao racismo estrutural. A análise revela como sua presença provoca tensões em espaços acadêmicos marcados por privilégios brancos, desafiando hierarquias raciais consolidadas. As pedagogias construídas por essas mulheres reconfiguram a prática docente e o processo formativo, evidenciando a urgência de políticas de inclusão e o fortalecimento das ações afirmativas, especialmente à luz das Leis nº 12.711/2012 e nº 14.723/2023. O artigo contribui para os debates sobre a construção de uma pós-graduação antirracista e plural, pautada na justiça cognitiva e na valorização da diversidade epistêmica.
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