Entre a patologia e a singularidade: análise do diagnóstico de disforia de gênero
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1887-8214.2025v40n1.76148Palavras-chave:
Disforia de gênero, Performance de gênero, Psicopatologia, Estudos de gêneroResumo
Este artigo analisa a apresentação do diagnóstico de Disforia de Gênero no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), produzido e distribuído pela Associação Americana de Psiquiatria. Inicialmente, buscou-se compreender as mudanças do respectivo transtorno ao longo das reedições do documento até a sua última versão (DSM-5-TR). Após, foram analisadas tanto as seções que compõem o DSM-5 e DSM-5-TR que discorrem sobre questões culturais e de gênero, quanto do próprio diagnóstico de Disforia de Gênero a partir de perspectivas contemporâneas dos estudos de gênero. Observa-se que há contrastes significativos entre o que é disposto no manual e o que é discutido por tais teóricos, uma vez que o DSM perpetua a noção biomédica do gênero. Nota-se também que certos termos são tratados sem criticidade a partir da enunciação de uma neutralidade científica do clínico/pesquisador, algo que acaba encaminhando os profissionais que se embasam nesse recurso como ferramenta de trabalho para uma interpretação generalista e apartada das intersecções que atravessam a experiência de sexualidade e gênero dos sujeitos.

