Entre a patologia e a singularidade: análise do diagnóstico de disforia de gênero

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.1887-8214.2025v40n1.76148

Palavras-chave:

Disforia de gênero, Performance de gênero, Psicopatologia, Estudos de gênero

Resumo

Este artigo analisa a apresentação do diagnóstico de Disforia de Gênero no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), produzido e distribuído pela Associação Americana de Psiquiatria. Inicialmente, buscou-se compreender as mudanças do respectivo transtorno ao longo das reedições do documento até a sua última versão (DSM-5-TR). Após, foram analisadas tanto as seções que compõem o DSM-5 e DSM-5-TR que discorrem sobre questões culturais e de gênero, quanto do próprio diagnóstico de Disforia de Gênero a partir de perspectivas contemporâneas dos estudos de gênero. Observa-se que há contrastes significativos entre o que é disposto no manual e o que é discutido por tais teóricos, uma vez que o DSM perpetua a noção biomédica do gênero. Nota-se também que certos termos são tratados sem criticidade a partir da enunciação de uma neutralidade científica do clínico/pesquisador, algo que acaba encaminhando os profissionais que se embasam nesse recurso como ferramenta de trabalho para uma interpretação generalista e apartada das intersecções que atravessam a experiência de sexualidade e gênero dos sujeitos.

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Biografia do Autor

Liliana Schiessl, Pontifícia Universidade Católica do Paraná

Graduada em Psicologia pela Universidade da Região de Joinville - Univille. Atuou como Acompanhante Terapêutica Escolar. Bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), CNPq de 2021 à 2024. Pesquisou sobre inclusão escolar do autismo a partir da Psicanálise e estudos sobre psicopatologia e discussões de gênero e sexualidade. Atualmente se dedica aos estudos sobre desenvolvimento humano e seus entrecruzamentos epistemológicos e filosóficos. Mestranda em Filosofia no Programa de Pós-Graduação em Filosofia (PPGF) da Escola de Educação e Humanidades PUCPR com bolsa CAPES. Áreas de interesse: Psicologia; Filosofia; Educação e Psicopatologia.

Vinícius Armiliato, Universidade da Região de Joinville, Univille

Pós-doutorado na linha de Filosofia da Psicanálise do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PPGF-PUCPR), com bolsa CAPES/Fundação Araucária. Professor Adjunto I do curso de Psicologia da Universidade da Região de Joinville (Univille), e docente do curso de Psicologia da Faculdades Pequeno Príncipe (FPP). Também é pesquisador em colaboração com o Programa de Pós-Graduação em Patrimônio Cultural e Sociedade (PPGCS-Univille). Psicólogo clínico e psicanalista de crianças, adolescentes e adultos. Doutor e Mestre em Filosofia pela PUCPR (linha de pesquisa: Filosofia da Psicanálise). Realizou estágio doutoral na Université de Paris 7 - Diderot (mar/17-fev/18), no Centre de Recherches Psychanalyse Médecine et Societé, financiada com Bolsa CAPES do Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior. Especialista em Sociologia Política (UFPR), graduado em Psicologia (PUCPR) e Bacharel em Artes Cênicas pela Faculdade de Artes do Paraná (FAP). Organizador da coletânea "Georges Canguilhem em Perspectiva", publicada pela editora CRV, cujo último volume foi traduzido para o francês e publicado Editora L'Harmattan (Georges Canguilhem au Brésil: Une épistémologie de la vie"). Traduziu do francês e do espanhol para o português diferentes textos na área da filosofia, psicologia e psicanálise. Possui experiência com docência no Ensino Superior, na área de Psicopatologia, Psicologia do Desenvolvimento e Psicologia da Aprendizagem. Atuou na realização de mediações no âmbito da inclusão escolar e do autismo como coordenador psicopedagógico na Educação Infantil. Desenvolveu pesquisa sobre as influências da biologia evolutiva na construção das noções de normal e patológico, na psicopatologia geral e na psicanálise freudiana. Atualmente pesquisa o campo da psicopatologia a partir de Georges Canguilhem. Paralelamente, desenvolve pesquisa sobre os aspectos epistemológicos do Patrimônio Imaterial. Tem interesse nas seguintes áreas: Psicopatologia, Psicanálise, Filosofia, Epistemologia, Patrimônio Cultural, Educação, Inclusão escolar, Autismo, Políticas Públicas, Teatro e Política.

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Publicado

2025-12-29