O DESLOCAMENTO DO RACISMO ESTRUTURAL À MORALIDADE INDIVIDUAL: uma leitura jamesoniana de "Entre os muros da escola"
DOI:
https://doi.org/10.46906/caos.n35.76105.p49-57Palavras-chave:
multiculturalismo, Jameson, racismo estrutural, cinema.Resumo
A suposta crise do multiculturalismo tornou-se um tema central na política europeia nas últimas duas décadas. Entre os muros das escola é um tratamento ficcional do sistema educacional francês através das lentes de uma sala de aula multicultural. O filme é sintomático de ansiedades francesas mais profundas sobre multiculturalismo, à assimilação e à identidade nacional, e o que é visto como uma contradição entre a assimilação republicana e a diversidade étnica. Inspirado pela teoria estética neomarxista de Frederic Jameson, este trabalho propõe oferecer uma leitura de influência freudiana da relação entre estética e política. Argumenta-se que a audiência disciplinar, semelhante a um tribunal, que constitui uma parte central do filme, tem o efeito de deslocar o racismo estrutural para a moralidade individual, reforçando assim o moralismo da classe média. O naturalismo do filme serve para ocultar sua função ideológica, obscurecendo as disparidades econômicas por trás dos debates culturais. Ao contrário dos filmes escolares franceses clássicos, falta-lhe uma crítica de classe, alinhando-se assim aos discursos neoliberais sobre educação.
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