Cientificismo, modo fantástico e representação do gênero feminino em “O Capitão Mendonça”, de Machado de Assis

Autores

  • Greicy Pinto Bellin Bellin Centro Universitário Campos de Andrade, UNIANDRADE
  • James Remington Krause

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.1516-1536.2021v23n1.57375

Palavras-chave:

Cientificismo, Modo Fantástico, Gênero, Paródia, Periódicos

Resumo

O presente artigo realiza uma análise do conto “O capitão Mendonça”, de Machado de Assis, procurando percebê-lo como uma crítica em relação ao cientificismo emergente no século XIX, às representações do gênero feminino na época e à apropriação do modo fantástico europeu na literatura brasileira, mais especificamente “O homem da areia”, de E. T. A. Hoffmann. Como embasamento teórico, lançaremos mão das reflexões de Joan Scott e Teresa de Lauretis, a fim de refletir sobre a questão de gênero e sobre as tecnologias envolvidas em sua construção e representação, além de Jaison Luís Crestani, no que se refere às questões editoriais, Linda Hutcheon no que se refere à utilização da paródia para o exercício da crítica, e Rosemary Jackson, David Roas, Irene Bessière e Remo Ceserani no que se refere às apropriações do modo fantástico.

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Biografia do Autor

Greicy Pinto Bellin Bellin, Centro Universitário Campos de Andrade, UNIANDRADE

Doutora em Estudos Literários pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pós-doutora na mesma área pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professora titular de Teoria Literária e Literatura Inglesa/Norte-americana do Programa de Pós-Graduação em Teoria Literária do Centro Universitário Campos de Andrade (UNIANDRADE). ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3787-7722

James Remington Krause

Doutor pela Vanderbilt University, atuou como professor de Língua Portuguesa e Literaturas Lusófonas em Brigham Young University (Provo, Utah, EUA). ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8129-5389

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Publicado

2021-06-03

Edição

Seção

DOSSIÊ: O FANTÁSTICO E A (DE)FORMAÇÃO DO RISO